“Não ajuda em nada e há indústria de multas”, diz Marcelo Queiroga sobre passaporte da vacina

O Ministro da Saúde do Governo Bolsonaro, o cardiologista Marcelo Queiroga, criticou a exigência do passaporte sanitário determinada por vários governadores estaduais para permitir a entrada de pessoas em locais públicos.

O “passaporte sanitário” obrigatório foi cogitado para bares e restaurantes de São Paulo, fim de semana passado. Mas, na segunda-feira (23), a prefeitura recuou da exigência e disse que o documento seria obrigatório apenas para eventos, feiras, congressos e partidas de futebol; a fim de conter o suposto contágio pela Covid-19. Queiroga rebateu a informação e disse que o mais importante é vacinar as pessoas, como vem fazendo o Governo Federal.

- A Constituição, no artigo 5°, tem como princípio fundamental a liberdade. A vacinação é uma política do Governo Federal que visa combater o caráter pandêmico da Covid-19. Agora mesmo, nós temos a vacina na primeira dose e na segunda dose. Então, eles têm a vacina completa. E, aí, resolvemos fazer um reforço. Qual é o passaporte? Eu acho uma exigência descabida, na minha opinião. Totalmente descabida - declarou Queiroga, que já foi presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

E completou:

- Agora, no mês de agosto, serão distribuídas 80 milhões de doses. No mês de setembro, no mínimo, 60 milhões de doses. No mês de setembro, receberemos 50 milhões de doses da vacina Pfizer. Mais de 220 milhões de doses distribuídas à nossa população. Queda de 60% dos casos em dois meses. Queda de 58% dos óbitos em dois meses. Por que nós conseguimos isso? Porque nós atuamos de maneira conjunta com Estados e municípios. De tal maneira, que essas medidas pontuais que municípios lançam pouco ajudam ao enfrentamento à pandemia da Covid-19 - explicou.
- (...) Passaporte não ajuda em nada. Tudo que é imposição, que é lei, o Brasil já tem um regulamento sanitário que é um dos mais avançados do mundo. Se você começar a restringir a liberdade das pessoas exigindo passaporte, carimbo, querer impor por lei uso de máscara, para estar multando as pessoas, indústria de multas, nós somos contra isso - alertou.
- (...) O principal aliado para pôr fim à pandemia é a vacinação. Não tem dúvida disso - finalizou.

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