Com poltrona biodegradável, brasileiros vencem “Oscar do Design”

Gislaine Lao e Felipe de Carvalho Ishiy, estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) do curso de Design de Produto, fizeram o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) juntos e construíram uma poltrona com biofilme bacteriano, uma alternativa ecológica e biodegradável ao couro.

O móvel recebeu o nome de “Não Fere” e foi premiado pelo iF Design Talent Award 2021, considerado o Oscar do design mundial.

- Nosso propósito sempre foi fazer algo para os animais - conta Ishiy, que é vegetariano, como a amiga.
- Mas os animais não precisam de mais produtos. Então, pensamos: como o design está interferindo na vida dos animais? E chegamos à indústria do couro e de peles - explica Lao.
- A ideia foi evoluindo até percebermos que já existe carne sintética e vegetal. Mas, poucas opções que substituam o couro - finaliza Ishiy.

Os universitários descobriram alternativas de biofilme feitas a partir da kombucha. A bebida feita à base de chá, açúcar e resíduos orgânicos serve como substrato para a cultura de bactérias e leveduras que, ao fermentar, formam o biofilme.

- Nós queríamos desenvolver nosso próprio material do zero, então pegamos o biofilme e adaptamos ao projeto - esclarece Lao.
- Aí, colocamos na água, fervemos, coamos e transferimos para um recipiente. O biofilme se desenvolve no formato do recipiente, na superfície do líquido, e tem a espessura de 1,5 centímetro - detalha Lao.

Após produzido, o biofilme é lavado com detergentes para matar as bactérias e estendido em cima do couro sintético para imprimir a textura.

- Para se ter um produto inovador, diferente e bonito, não é preciso ferir ou matar um animal - alega Ishiy

Mas, o processo é demorado: levam 3 semanas para o produto ficar pronto.

- Independentemente do tamanho, o processo é sempre o mesmo. Apesar de parecer bastante tempo, não é tanto assim, se pensarmos que para um boi ou uma vaca crescerem demora anos – adianta Lao.

O material é maleável, pode mudar de cor e textura e um cheiro adocicado.

- Quem trabalha com esse material relata que ele tem um cheiro avinagrado, mas o nosso tem um cheiro mais adocicado - observa Ishiy, completando que a produção do biofilme gasta menos água do que a de couro bovino.
- E gasta bem menos água. Usamos cerca de 10 litros de água por metro, enquanto o couro bovino requer de 8 a 10 mil litros –

Siga o Jornal O Republicano nas redes sociais:

Facebook: O Republicano | Facebook

Twitter: @_ORepublicano

Instagram: @_ORepublicano

Mostrar comentários