Bolsonaro afirma que facada foi ação planejada: “Fiz quatro cirurgias, perdi 15 quilos e 10 centímetros de intestino”

Em entrevista ao programa “Direto ao Ponto”, da Jovem Pan, nesta segunda-feira (27), o presidente da República, Jair Bolsonaro, entre muitos outros assuntos dos quais falou, disse que a tentativa de homicídio que sofreu em setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), pouco antes das eleições presidenciais, foi uma ação planejada.

- Eu teria que ter enganado todos os médicos da Santa Casa de Juiz de Fora e, depois, os médicos do Einstein (Hospital Albert Einstein). Qual é a reputação dessas entidades? Eu fiz quatro cirurgias, perdi 15 quilos, 10 centímetros do intestino, fiquei com a bolsa de colostomia”, esclareceu Bolsonaro, criticando os opositores que dizem não ter passado de “encenação” a facada.

Ao ser questionado sobre outro assunto em pauta: a CPI da Covid-19 aberta pelo Senado sob determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente falou que o Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, deve arquivar o relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é investigado no STF por lavagem de dinheiro e corrupção.

- Vem pesado o relatório, mas não posso admitir certas acusações. Vai passar pelo Ministério Público. Acho que a tendência é arquivar – avaliou, acrescentando que a CPI tem como único objetivo desgastar o atual governo.
- Isso é um circo. Não interfiro nas decisões do Augusto Aras, mas ele sabe o que está acontecendo. O Aziz, o Renan e o Randolfe são pessoas que não têm credibilidade nenhuma. Geralmente, as CPIs visam atingir alguém politicamente ou achacar certas pessoas, assim são as CPIs no Parlamento. O objetivo é esse: é luta pelo poder e buscar aquela cadeira (do presidente) - avisa.
Bolsonaro não se esquivou de comentar sobre as supostas pesquisas eleitorais que apontam o ex-presidente e ex-presidiário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente dele.
- O Lula tem voto, mas não é isso que estão colocando. Ele não consegue tomar uma Itubaína na esquina em qualquer lugar que vai ser escrachado. Ele não consegue andar por lugar nenhum do Brasil. Se tiver debate e eu vier a ser candidato, vai ser um prazer debater com ele - ironizou.

E completou:

- Com Forças Armadas participando do processo, dá para confiar nas urnas - explicou ele, que não confia na contagem dos votos feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o comando do ministro Luis Roberto Barroso, indicado ao cargo de Ministro pela presidente Dilma Roussef, do PT, em 2013.

Bolsonaro comemorou que os governadores de Roraima (Antonio Denarium) e Rondônia (Marcos Rocha) são aliados do Governo Federal e deverão zerar o imposto estadual para a compra de gás de cozinha. Nesses Estados, o gás deverá custar pouco mais de R$ 50,00. No resto do país, os preços chegam a R$ 130,00.

- Nós zeramos os impostos federais do gás de cozinha. Custa R$ 50 o botijão quando sai da Petrobras. Chega a quase R$ 130 no final da linha. O que encarece? Eu converso com os governadores de Rondônia e Roraima. Eles devem zerar o imposto estadual, o ICMS do gás. O gás vai chegar lá um pouco acima de R$ 50, porque é mais longe um pouquinho de onde é envazado, mas, a partir daquele momento, não tem o imposto federal e estadual. O preço será composto pelo frete e pela margem de lucro do cara que está no balcão lá na ponta da linha - explicou.

Por fim, o presidente detalhou os motivos pelos quais resolveu não “cuspir fogo” nos ministros do Supremo e disse que a carta enviada ao Poder Judiciário foi uma “fusão” entre o que ele escreveu e o que o ex-presidente Michel Temer propôs.

- No dia seguinte (ao 7 de setembro), o ministro Fux fez um pronunciamento pesado contra mim. Muitos disseram: rebate, contra-ataca, dá resposta. E eu dizia ‘vou responder amanhã, calma’. Eu aprendi a digerir as coisas. Nesse ínterim, houve contato com o presidente Temer. Ele não quis passar por telefone a proposta dele, então, veio para cá. Trouxe uma proposta, eu juntei com o que falaria, fizemos um pequeno acerto, a proposta dele estava boa, a minha também. Foi uma fusão, saiu aquela nota. Muita gente, em um primeiro momento, não entendeu. Como ficaria o Brasil perante o mundo (se houvesse golpe de Estado)? Como ficam as possíveis barreiras comerciais? Ficaríamos em uma situação complicada - finalizou.

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