Nova novela da Globo, “Cara e Coragem”, usará linguagem neutra: “amigues” e “todes”

A próxima novela da TV Globo, “Cara e Coragem”, das 19 horas, prevista para ir ao ar em maio de 2022, utilizará a "linguagem neutra", exclusiva para o grupo LGBTQIA+.

O enredo do folhetim vai se desenrolar em torno de um casal interpretado pelos atores Marcelo Serrado e Paola Oliveira. Enquanto ele vai trabalhar em casa e cuidar dos filhos, ela será uma dublê de cenas de aventura e ficará boa parte do tempo envolvida com as gravações.

A roteirista da trama, Cláudia Souto, alegou que vai usar os termos para “democratizar” o idioma oficial do Brasil, o Português, e será utilizada apenas por “personagens que se identifiquem assim.

- As novelas são crônicas de sua época. […] Ao abordar temas referentes à comunidade LGBTQIA+, é natural que o gênero neutro seja incorporado pelos personagens - justificou.

E acrescentou:

- O público de novelas é apresentado todos os dias a novas gírias, sotaques e palavras. Não é diferente com o gênero neutro. Logo se darão conta de que é uma nova forma de expressão. Acho relevante que seja mostrada numa obra de tanto alcance - pontuou.

É muito raro ouvir as pessoas falarem “amigues” ou “todes” no dia a dia. Essas são expressões voltadas para a representação de um público não binário, que é aquele que não se identifica com o gênero masculino ou feminino. Trabalhar com gênero neutro será desafiador para roteirista porque usar termos como “ile”, “dile”, “elu” e “delu” na língua portuguesa será muito difícil; já que o Português é, totalmente, baseado em gênero.

Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como "gênero não marcado". Isso quer dizer que, ao usá-lo, não significa que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres. Ele é inespecífico, portanto, não precisa ser mudado.

A professora de português e autora de dois best-sellers sobre a língua portuguesa, Cíntia Chagas, afirma que a linguagem neutra não possui caráter científico e se trata de um modismo defendido por grupos de ativismo político.

- Quando uma instituição como o Museu da Língua Portuguesa aceita isso, ele abre portas para que outras pessoas que não entendem do que realmente se trata achem isso natural, o que é equivocado – defende, ao desaprovar o usa de termos neutros na inauguração do Museu da Língua Portuguesa, em julho deste ano.

Kátia Simone Benedetti, professora de português e autora do livro “A falácia socioconstrutivista: por que os alunos brasileiros deixaram de aprender a ler e escrever”, concorda com a argumentação da colega e diz que a linguagem não binária não se origina da evolução natural do idioma. Por isso, sua mudança é equivocada, artificial e inconsistente com a própria natureza estrutural da língua.

- A língua é independente da vontade humana, política ou ideológica. Ela muda por seus próprios meios e estes se baseiam em necessidades concretas, do dia a dia – justificou, exemplificando que, com o advento das tecnologias, novas palavras foram incorporadas à língua em virtude das demandas concretas, como ‘clicar’, ‘postar’, ‘tuitar’ e outras.

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