O fim da era Daniel Craig como James Bond...

Chegou ao fim a era de um dos melhores James Bond do cinema. Com o lançamento do filme 007 – Sem Tempo Para Morrer, Daniel Craig se despede do agente mais famoso do mundo, fechando um período que mostrou o lado mais humano e profundo do personagem.

O filme, lançado na última quinta-feira, fecha com dignidade a era de Craig. Durante esse período de cinco filmes, tivemos alguns ótimos e outros ruins. Casino Royale e Skyfall são os melhores desta fase, já Quantum of Solace e Spectre estão bem abaixo dos outros. Sem Tempo Para Morrer, fica no meio desses filmes. Não é uma obra prima, mas também não é ruim. É um ótimo filme de despedida.

A introdução é muito boa. Vemos o passado de uma personagem, ao mesmo tempo em que vemos James Bond curtindo a aposentadoria com sua amada Madeleine. Segue muito bem por alguns momentos e lá pelo meio do filme ele começa a dar umas prolongadas desnecessárias, mas depois recupera e termina bem. A história é típica de um Bond: um vilão querendo destruir o mundo, viagens a outros países e cenas de ação de tirar o fôlego. É o mesmo de sempre, como dizem no próprio filme.

O vilão não tem uma relação tão íntima e profunda com o James Bond, como na maioria das vezes. Aqui, ele está mais ligado a Madeleine e a organização Spectre do que ao próprio agente. Por isso, ele não é tão perigoso como os outros e não impõe tanto medo quanto o Raoul Silva, de Skyfall, ou até mesmo o Le Chiffre, de Casino Royale. Apesar da ótima atuação de Rami Malek, ele não é um personagem imponente. É apenas mais um vilão querendo poder, nada mais que isso. Não é o suficiente para deixar o espectador com receio de que possa acontecer alguma coisa, pois ele não é tão forte a ponto de bater de frente com o Bond.

Novamente, esse é um filme que explora o passado dos personagens, assim como a saga inteira do Craig fez. Essa busca nas raízes da história dele, e dos outros personagens da série, nunca foi tão explorada nos outros filmes como nesses últimos anos. Sem Tempo Para Morrer tem uma conexão direta com os acontecimentos de Spectre, com a morte de Vesper Lynd e mostra como isso ainda afeta a personalidade de James Bond e suas relações.

Nessa era, ele é um personagem refém de seu passado. Os outros James Bond eram mais mulherengos, mais durões e inabaláveis, e a abordagem deles era mais episódica. Agora foi diferente. Seu passado o persegue, seu lado mais humano e frágil foi colocado nas telas. Sem falar do sentimentalismo.

Esse é, definitivamente, o Bond sentimentalista.

Isso é muito bem explorado neste novo filme, que mostra as consequências de ter sido traído por Vesper e como isso afetou sua confiança nas pessoas. Tudo que ele sofreu em Casino Royale mudou sua personalidade, foram cortes profundos que permaneceram com o personagem e tudo que viveu afeta suas decisões e seu comportamento.

É o filme mais comovente dessa era e é a época mais sentimental do personagem. Daniel Craig conseguiu transmitir essas sensações com suas ótimas atuações no período. Ele é um dos melhores Bond – se não o melhor – e se despede em grande estilo, deixando um legado na saga 007 de que o Bond... James Bond, pode sim ser mais romantizado e sentimental.

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