Brasil x Argentina: A trapaça da água batizada na Copa de 90

A rivalidade entre brasileiros e argentinos vem desde o século XIX, nascendo no campo político, onde Brasil e Argentina eram caracterizados como os países mais poderosos da América do Sul, essa disputa se torna real com a Guerra da Cisplatina, confronto onde o Império do Brasil enfrentou as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) pela posse da Cisplatina (atual Uruguai).

A rivalidade política e de disputas de territoriais acabou sendo abraçada pela polução, e posteriormente espelhada no principal esporte disputado nos países, o futebol.

Dentro das quatro linhas, brasileiros e argentinos sempre estiveram bem representados por grandes craques como Lionel Messi, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Román Riquelme, Neymar, Hernán Crespo, Romário, Alfredo Di Stéfano, entre outros. Porém, a maior disputa até hoje pelo trono de maior da história é entre Pelé e Maradona, este último que esteve presente no polêmico clássico que definiu a vaga para os oito melhores do mundial de 1990.

A Copa de 90

A Copa do Mundo de 1990 foi sediada na Itália, sendo a segunda vez em que o mundial de seleções era realizado na terra da Gli Azzurri. Após excelente campanha na fase de grupos, o Brasil chegava as oitavas como uma grande força, já os argentinos não vinham tão bem e se classificaram por conta de serem os melhores entre os terceiros colocados de cada um dos grupos.

Quis o destino que o chaveamento colocasse ambos para medirem forças em Turim, realizando um super clássico pela quarta vez em uma Copa do Mundo.

O Jogo

Próximo do final da primeira etapa do jogo, a partida foi paralisada pelo árbitro francês Joel Quiniou por conta de uma falta cometida pela equipe brasileira, os massagistas argentinos entraram em campo para fornecer água aos jogadores que estavam sedentos por conta do calor escaldante de 40ºC no Estádio Delle Alpi.

Foi quando Branco, lateral-esquerdo do Brasil, pediu uma garrafa d’água ao massagista Miguel Di Lorenzo, esta que, segundo declarações pós jogo, foi adulterada pelos argentinos a mando de Diego Maradona.

O lateral contou que começou se sentir sonolento já no intervalo do jogo e os sintomas seguiram no segundo tempo, prejudicando assim o rendimento do jogador pelo resto da partida. Branco era o cobrador de faltas oficial da equipe.

Os brasileiros que vinham jogando melhor no primeiro tempo, acabaram por ver a Argentina passar a frente do marcador já na reta final do jogo, com um gol histórico marcado por Claudio Caniggia com direito a drible em cima de Taffarel. Dessa forma eliminando a Canarinho do torneio.

Em entrevista a Globo, no dia sucessor a partida, Branco acusou o plano sujo dos argentinos para levarem vantagem na disputa.

- Eu tomei um pouco de água do pessoal da Argentina e cheguei no intervalo me deu uma tonteira, uma bobeira… No segundo tempo me deu essa tonteira, bobeira. A hora que o jogador da Argentina ia tomar do mesmo frasco que eu tomei, o massagista da Argentina disse ‘não toma desse’ e pegou outro frasco.

O maior medo de Branco foi o de acabar sendo sorteado para fazer o exame antidoping no qual se a substância ingerida por ele fosse ilegal ele tomaria um gancho de meses sem jogar futebol e teria sua carreira manchada, felizmente o lateral se safou de fazer o teste.

Contraditoriamente a história foi negada por diversos jogadores argentinos, porém Maradona confirmou a veracidade da mesma anos depois em um programa de televisão argentino, visando que a garrafa d’água em que Branco tomou era de cor verde, diferente das garrafas transparentes em que os Hermanos bebiam.

A substância dissolvida na água foi o Rohypnol um tipo de tranquilizante de uso psiquiátrico. Comprovando os fatos em 2017 o zagueiro Oscar Ruggeri que também estava em campo em 90 confirmou a história e rindo declarou:

- Não se pode tomar água do time adversário, não se pode. Tome a sua, idiota, não a nossa. Que água acha que vamos dar a um brasileiro?.

A Copa do Mundo seguiu com os brasileiros retornando para casa, e a Seleção Argentina na reta final da competição eliminando também as equipes da Iugoslávia e da Itália, perdendo somente na final para a Alemanha Ocidental que se concretizou campeã pela terceira vez do torneio.

Siga o Jornal O Republicano nas redes sociais:

Facebook: O Republicano | Facebook

Twitter: @_ORepublicano

Instagram: @_ORepublicano

Mostrar comentários