A incrível história de um mochileiro que conheceu o mundo apenas com coragem e determinação

Ruy Nascimento acaba com a teoria de que precisa ser rico para poder viajar

A simplicidade toma conta da harmonia exalada por Ruy Nascimento. No auge de seus 39 anos, o inspetor da Polícia Civil esbanja humildade com ar raríssimo de realização pessoal.

Hoje, sua profissão - tão falada e comentada normalmente - não será o centro das atenções. Ruy, como prefere ser chamado, tem algo muito mais interessante para falar: histórias desbravando o planeta com uma mochila nas costas, pensamentos positivos e coragem para conhecer cada canto desse mundo.

Tudo começou há mais de 20 anos, quando o jovem Ruy conseguiu a oportunidade de fazer um intercâmbio para os Estados Unidos através de um curso técnico de Agronomia que fez durante o ensino médio. Sem saber nada de inglês, mas com uma grande determinação e apenas 17 anos, Ruy foi para a América.

Na terra do Tio Sam, ele conta que ficou 1 ano e 1 mês em uma fazenda familiar, onde - em suas palavras - “foi uma das melhores experiências da minha vida”. Ruy acordava diariamente às 5h da manhã e fazia todo o trabalho do campo, entretanto, além do trabalho braçal que, segundo alega, “hoje não é mais assim” pois era muito “puxado”, Ruy aprendeu muito sobre a cultura norte-americana e aperfeiçoou o inglês.

De volta ao Brasil e já maior de idade, o jovem aventureiro que “não queria nem ter voltado”, deixou páginas em branco de um livro que ainda ganharia novos capítulos.

Aos 26, Ruy, na época policial militar com formação acadêmica, além da vasta experiência adquirida, finalmente resolveu que era hora de completar o que tinha começado há 8 anos atrás. Com a coragem de sempre, ele abriu mão da vida militar e tornou-se garçom em um navio que passava pela América do Norte e Central.

- Foi tudo por experiência, lá conheci pessoas de todos os lugares - disse, visivelmente entusiasmado.

Na rota do navio estavam lugares como Alasca, Canadá, o próprio Estados Unidos e todo o Caribe.

Ruy desembarcava quase todos os dias em cada um desses locais onde fez várias amizades e contatos. De quebra, ainda conseguiu aperfeiçoar o espanhol, já que a bordo, os clientes eram massivamente de países onde o espanhol era a principal língua.

Após 6 meses, através de um amigo que, por ironia do destino, foi expulso do navio pois “brigou” a bordo, Ruy foi convidado para ir para a Austrália trabalhar como servente de pedreiro e, claro, “viver uma nova aventura”. Por mais 6 meses, lá ele ficou.

- Consegui guardar uma grana. Morando em ‘hostels’. Depois tive que decidir: ou conhecia a Austrália - o que era muito caro - ou viajava pelo mundo, foi o que eu fiz - conta.

Segundo Ruy, foi aí que, de fato, começou sua “carreira” como um mochileiro.

Assim sua jornada teve mais um capítulo. Como ele mesmo classifica: “a volta ao mundo”.

Ruy perde a conta em falar quantos países conheceu durante esse período:

- Tailândia, Camboja, Laos, Israel, Jordânia, Egito, Grécia, Sérvia, Itália, França, Portugal, Inglaterra e Escócia. [...] Fiquei viajando 5 meses pelo mundo e quando voltei ainda tinha dinheiro.

Posteriormente, Ruy voltou ao Brasil, pois “a vida tinha que continuar”. Dentro do avião, na viagem de volta, ele confessa que pensou:

- Esse avião pode cair, se eu morrer, vou morrer feliz!

De volta ao seu País, o policial militar juntou tudo o que aprendeu com os anos e conseguiu entrar para a Polícia Civil, o que também era uma de suas metas pessoais.

Desde que voltou da “volta ao mundo”, Ruy viaja para fora do País pelo menos uma vez por ano. Já entraram na lista países como Uruguai (de moto), Chile, Argentina, Peru e África do Sul - onde ficou frente a frente com leões em um parque nacional, além de outros países que já nem lembra mais.

Em 2018, ele realizou um desejo pessoal: voltar aos Estados Unidos. Dessa vez, a viagem foi diferente. Na companhia de mais dois amigos, Ruy literalmente atravessou os Estados Unidos em uma ‘road trip’ (viagem longa de carro), em 21 dias de Los Angeles a Nova Iorque.

Nessa mesma viagem, Ruy conta emocionado que após quase 20 anos retornou no local onde tudo começou, a fazenda onde fez o intercâmbio.

- O menino mais novo que tinha 5 anos, já estava com 25 e lembrava vagamente de mim. Mas tinha uma menina que tinha 7 [anos] e estava com 27, ela lembrava mais de mim, nós éramos muito chegados [porque] ela me ensinava muito a falar inglês. [...] Foi uma emoção enorme. Eles eram a minha família - contou.

Com um sorriso no rosto, Ruy conta que já não viaja mais sozinho, agora tem uma companheira, a Bárbara, que traz consigo o mesmo espírito aventureiro do namorado. Em sua última viagem, no ano de 2019, antes da pandemia, os dois foram até o Chile de carro, pois era a opção mais barata.

Ruy é um crítico ferrenho do “consumismo” e da “vida nas redes sociais” que, atualmente, as pessoas vivem.

- Eu vejo pessoas comprando celulares de 5.. 6 mil reais, isso já dá uma viagem para fora do País. [...] Com um planejamento básico de no máximo um ano você consegue ir para onde quiser, basta querer.

Sobre o Brasil, Ruy é sucinto em afirmar:

- O Brasil é muito caro para viajar, é muito mais barato viajar pra fora.

Mas Ruy deixa uma boa dica para quem, como ele, quer ser um aventureiro:

- Eu saí do Brasil com 400 dólares e conheci mais de 40 países. [...] A primeira coisa que tem que ter é coragem. [...] Não precisa largar mão de nada, economize… planeje!

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Por O Republicano
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