Cinemateca pega fogo em SP e destrói parte da memória brasileira

A Cinemateca Brasileira, que fica em São Paulo, sofreu um incêndio, na quinta-feira (29), que pode ter afetado parte do registro histórico e memória do Brasil, com obras do cineasta Glauber Rocha, Embrafilme, Instituto Nacional do Cinema, entre outros arquivos, perdidos para sempre.

O jornalista e especialista em audiovisual, Paulo Gustavo Pereira, comentou sobre o caso e disse que o governo brasileiro não tem culpa pelo ocorrido porque as causas do incêndio são técnicas e se referem à forma como os arquivos eram guardados.

Os danos ao patrimônio ainda não foram divulgados.

- Eu acho que o governo brasileiro não deveria ter nenhuma responsabilidade em relação a isso. (A gestão) deveria ser passada para a iniciativa privada. Nos Estados Unidos, existe pelo menos dois ou três grandes museus de transmissão de televisão. E eles são da iniciativa privada, é a própria indústria que cuida. O problema é que a nossa indústria cultural depende do auxílio do governo e não pode ser desse jeito - afirmou o crítico, defendendo que os acervos culturais brasileiros sejam geridos pela iniciativa privada.
- A falta de cuidado é na parte técnica. Todo mundo sabe que você não pode deixar películas em qualquer tipo de galpão, porque a película é altamente inflamável. A Hanna Barbera perdeu metade do acervo nos anos 70 porque deixou em um arquivo qualquer. Teve combustão espontânea, como aconteceu também na Cinemateca em 2016, porque esse tipo de material tem que ser guardado de uma maneira muito diferente - explicou.

E acrescentou:

- A nossa memória, que está se perdendo cada dia mais, devia estar na mão de particulares”, enfatizou.
- Se a gente não tiver alguém que cuide e faça a manutenção, nós vamos perder toda essa história, outra vez. Nós vamos perder isso por incompetência nossa de cobrar de quem tem que fazer as coisas direito. Ou seja: governo, você só cria a estrutura. Deixa a administração para a iniciativa privada. Pega tudo que é da Cinemateca, do Museu da Imagem e do Som e transformar isso em serviços de utilidade pública, porque, caso contrário, vamos perder muito mais do que simplesmente séries e novelas de televisão - finalizou.

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