Luís Bourbon, o príncipe que foi exilado por ser gay

Nascido em 2 de outubro de 1667, foi o quinto filho e segundo a conseguir sobreviver até a infância, do Rei Luís XIV, e de sua amante oficial, Luísa de La Vallière. Quando veio ao mundo, a relação de seus pais já havia acabado. Luísa havia sido substituída pela Madame de Montespan, devido aos vorazes desejos sexuais que o Rei Sol tinha pelo sexo feminino.

A relação de Luís XIV e Luísa iniciou quando a , virgem de 17 anos, foi servir como dama de companhia da Corte. Na época, com 22 dois anos, o rei não teve dificuldades para fazer a tímida moça sucumbir aos seus desejos sexuais. Entretanto, a dama era muito religiosa e preocupava-se com a sua salvação. Luísa acreditava que era impuro ter relações sexuais com homens. Então, Luís a convence de que ela não se encontrava com um homem, mas com um indivíduo mais próximo de Deus, que recebeu a autorização do mesmo para liderar a França.

A relação dos dois durou mais de seis anos, até Luísa ser rejeitada pelo rei e substituída pela nova amante. Entristecida com a situação, a mulher vê como abrigo a religião e torna-se cada vez mais fanática. Decidida que sua salvação era muito mais importante que a criação de seus filhos, ingressou em um Convento Carmelita, abandonando as crianças. Luís, à época, tinha 8 anos de idade. E, assim, Luís Bourbon e sua irmã Marie-Anne foram enviados ao Palais Royal, na França. Lá, eles seriam criados por seu tio, Felipe de Orleans e sua esposa.

No palácio, Luís Bourbon conhece o amante de seu tio, o Cavaleiro de Lorena, que, por sinal, vivia no mesmo ambiente que a família. Bourbon, com apenas 15 anos, disse que se sentiu atraído pelo cavaleiro e não hesitou em render-se ao amado do tio. Mais tarde, o jovem foi apresentado a uma irmandade secreta de aristocratas gays. Entusiasmado com o novo ambiente, o rapaz aceita participar da Santa Fraternidade dos Gloriosos Pederastas, sem saber que, futuramente, isso o levaria à ruína.

Para a igreja da época, o “vício italiano”, como eram chamadas as relações homossexuais, era considerado uma ofensa criminal extrema para o Estado. Mas, para o Rei Luís XIV, havia exceções e elas dependiam de quem cometia o crime e o momento.

Mesmo com as rigorosas regras de sigilo e segredo que a irmandade determinava, as orgias selvagens que aconteciam no clube logo se espalharam por toda a Paris. Rapidamente, o assunto chegou aos ouvidos de Luís XIV que, embora pudesse tolerar a escolha de seu irmão Felipe, não tolerou a de seu próprio filho. Dissolveu o clube, exilou o cavaleiro e açoitou o filho, publicamente, antes de ele ser exilado.

Nem as súplicas da cunhada e filha fizeram com que o Rei Sol mudar de ideia quanto à punição do próprio filho. E Bourbon foi obrigado a recuperar o amor e confiança do pai sozinho. Em busca de uma segunda chance, o rapaz não hesitou em ser enviado para Flandres onde serviria como soldado. Aquela seria a oportunidade perfeita para demonstrar sua bravura. Infelizmente, assim que o jovem rapaz de 16 anos chegou ao campo de batalha, adoeceu e, mesmo com recomendações médicas de ser envidado para uma cidade local para se recuperar, sua determinação o fez permanecer no inadequado local.

Faleceu em 18 de novembro de 1683. Ao receber a notícia da morte do filho, Luís XIV não se comoveu. Já a mãe, Luísa, disse que chorou mais no nascimento de Bourbon do que em sua morte. Apenas a tia e o irmão compareceram ao velório do rapaz e derramaram lágrimas quando souberam de sua morte. Foi sepultado na catedral de Arras.

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