Drones afundam navio na costa da Bulgária, e Rússia é suspeita de ataque em área da Otan

Um navio mercante afundou na terça-feira (6) no Mar Negro, na zona econômica exclusiva da Bulgária, depois de ser atingido por drones aéreos e marítimos. Fontes de segurança marítima ouvidas pela agência Reuters disseram que as primeiras avaliações apontam a Rússia como provável autora. Se confirmado, será o primeiro ataque do tipo contra embarcações na zona econômica de um país da Otan desde o início da guerra na Ucrânia.

Dois navios foram atingidos a cerca de 130 quilômetros da costa búlgara, na altura da cidade de Byala. O Alfa Watan, com bandeira do Togo, afundou; a carga não foi divulgada, e a tripulação estava desaparecida, segundo as autoridades. O segundo, o Able, com bandeira de Palau, transportava grãos e pegou fogo. Os 18 tripulantes foram resgatados por uma embarcação búlgara, e dois ficaram feridos, de acordo com o Poder360.

O primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, classificou o ataque como uma violação grave do direito internacional, mas disse que ainda não era possível determinar se os drones partiram da Rússia ou da Ucrânia, segundo a agência búlgara BTA. "Se essa guerra não for encerrada a tempo, continuará a expandir seu alcance geográfico", declarou.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que uma investigação feita em conjunto com a Marinha búlgara identificou um ataque russo combinado. "As Forças de Defesa da Ucrânia não estavam realizando nenhuma operação nesta parte do mar", disse. A Rússia não se manifestou.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou o ataque e disse que tripulações civis estão sendo colocadas em risco. A Bulgária não faz fronteira com Rússia nem com Ucrânia, mas ocupa posição estratégica no Mar Negro, onde os dois países têm portos importantes.

O episódio ocorreu um dia depois de um navio de propriedade turca ser atingido por drones na zona econômica da Romênia, também membro da Otan; a embarcação afundou, e duas pessoas morreram. A empresa de segurança marítima MARISKS classificou os casos como uma "escalada significativa" da ameaça à navegação comercial no oeste do Mar Negro.