Nobel de Física premia belga Francis Halzen por detectar neutrinos sob o gelo da Antártida

O físico belga Francis Halzen, de 82 anos, professor da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, ganhou o Prêmio Nobel de Física de 2026 pela detecção de neutrinos de alta energia vindos do espaço e pela criação do Observatório de Neutrinos IceCube, no Polo Sul. O anúncio foi feito na terça-feira (6) pela Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo.

Neutrinos são partículas subatômicas sem carga elétrica e praticamente sem massa, que quase não interagem com a matéria. Trilhões delas atravessam a Terra e o corpo humano o tempo todo sem efeito perceptível. "Todos os segundos, sem que você perceba, 65 bilhões de neutrinos vindos do Sol atravessam a unha do seu dedo mindinho", afirmou a academia no comunicado do prêmio.

Halzen propôs em 1988 usar o gelo da Antártida como um detector gigante. O IceCube tem cerca de 5.500 sensores de luz instalados a centenas de metros de profundidade, num bloco de um quilômetro cúbico de gelo. Quando um neutrino raramente se choca com o núcleo de um átomo, surgem partículas que emitem um brilho azul. Os sensores registram esse sinal, e os cientistas calculam a direção de onde a partícula veio. O observatório levou sete anos para ser construído e coleta dados desde 2011.

Os neutrinos detectados chegam a ter energia cerca de mil vezes maior que a do Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo. Eles são produzidos em fenômenos violentos, como explosões de estrelas e regiões ao redor de buracos negros, e funcionam como mensageiros desses eventos distantes. "Nossa melhor hipótese, neste momento, é que sejam esses núcleos galácticos ativos", disse a astrofísica Erin O'Sullivan, porta-voz da colaboração IceCube.

Nascido em Tienen, na Bélgica, Halzen hoje é cidadão americano. Em entrevista coletiva, disse ter sido surpreendido pelo sucesso da ideia. "Quando começamos este projeto, todos perceberam que talvez fosse uma boa ideia, mas muito poucos achavam que daria certo, inclusive eu", afirmou, segundo a BBC.

Para o presidente do Comitê Nobel de Física, Mark Pearce, a "tenacidade e visão científica" do pesquisador "abriram caminho para um novo tipo de astronomia".