Endividamento das famílias gaúchas sobe a 87,2%, mas atraso nas contas recua
O endividamento das famílias gaúchas voltou a subir em agosto e chegou a 87,2%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), divulgada pela Fecomércio-RS. O índice era de 86,4% em julho e de 85% em agosto de 2025, e está bem acima da média histórica da série, de 72,9%.
A alta foi puxada pelas famílias com renda de até dez salários mínimos, entre as quais a fatia de endividados passou de 90,5% para 91,6%. Entre as de renda maior, o índice ficou estável em 68,9%.
O atraso no pagamento, porém, recuou pelo terceiro mês seguido: 23,5% das famílias tinham contas atrasadas em agosto, ante 24,1% em julho. Entre as de menor renda, a inadimplência caiu de 29,8% para 28,5%; entre as de renda mais alta, subiu de 4,7% para 6,6%. A parcela de famílias sem condições de pagar nada das dívidas atrasadas nos 30 dias seguintes passou de 1,7% para 1,6%.
O cartão de crédito segue como a principal forma de dívida, citado por 64,3% dos endividados, seguido pelos carnês (45%), pelo financiamento de carro (6,8%), pelo crédito pessoal e pelo financiamento habitacional (5,3% cada). O comprometimento da renda com dívidas recuou levemente, para 29,8%, depois de duas altas seguidas, e o tempo médio de atraso subiu de 31,8 para 32,9 dias.
Os dados foram coletados em Porto Alegre nos últimos dez dias de julho. Segundo a reportagem do jornal O Sul, o resultado reflete em parte os efeitos do programa federal de renegociação de dívidas Novo Desenrola, que ajuda a reduzir a inadimplência no curto prazo, sem mudar as condições que levam ao excesso de endividamento.
Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, o quadro exige cautela. "A alta do endividamento em agosto ocorre em um contexto em que o comprometimento da renda permanece elevado e as taxas de juros ainda se encontram em patamar restritivo", afirmou. Segundo ele, o cenário pede atenção das famílias para que as dívidas não se transformem em mais inadimplência.