PF conclui que delegado morto em Passo Fundo foi atingido por tiros de PM investigado


A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito sobre a morte do delegado Michel Brasil Saliba, baleado durante uma operação em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, e apontou que os tiros que o atingiram partiram da arma do policial militar que era alvo da ação. A investigação descartou a hipótese de "fogo amigo", quando o disparo parte de um colega de equipe.
O caso ocorreu em 2 de julho, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no apartamento do PM Daniel Machado Figueiró, do 3º Regimento de Polícia Montada da Brigada Militar. O alvo do mandado era a companheira dele, que estava no imóvel. Saliba morreu no dia seguinte. Outro agente ficou ferido e já recebeu alta.
Segundo a PF, as provas reunidas indicam que a equipe estava identificada e uniformizada e anunciou sua condição de policiais antes e durante a entrada no imóvel. A conclusão se baseou em laudos do local, análises balísticas e de DNA, exames de microvestígios, extração de dados de celulares, imagens de câmeras de segurança e depoimentos.
Figueiró foi indiciado por homicídio qualificado, por motivo torpe, por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e por ter sido cometido contra autoridade policial, além de três tentativas de homicídio contra os demais integrantes da equipe. Ele segue preso. O inquérito foi enviado ao Ministério Público Federal e à Justiça.
A defesa do policial militar foi procurada pelo g1 e não havia se manifestado até a última atualização da reportagem. Na época, a Brigada Militar informou que o PM estava de licença e que a Corregedoria-Geral da corporação acompanharia o caso.
Saliba atuava na delegacia da PF no Chuí, na fronteira com o Uruguai, e chefiava a operação em Passo Fundo, que buscava desarticular um sistema financeiro paralelo usado para sustentar um esquema de contrabando de mercadorias vindas de Miami, nos Estados Unidos. Ele era casado, tinha dois filhos e foi sepultado em Bagé.
