Campos Neto é ouvido pela PF como testemunha no inquérito sobre o Banco Master

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto estava previsto para prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (7), por videoconferência, como testemunha no inquérito que apura fraudes ligadas ao Banco Master, segundo a CNN Brasil. O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi ouvido na terça-feira (6), também como testemunha.

A investigação busca esclarecer se dois servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves, atuaram em favor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, enquanto ocupavam cargos de chefia na autarquia. Segundo a CNN, a suspeita é de que eles prestavam consultoria informal ao banqueiro e receberam pagamentos milionários. Os dois foram afastados por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e negaram as acusações em depoimentos anteriores.

Um dos pontos que a PF quer esclarecer é se Campos Neto, que presidiu o BC de 2019 a 2024, tinha conhecimento da suposta parceria entre os servidores e Vorcaro. Galípolo, Campos Neto e o dono do BTG Pactual, André Esteves, foram intimados como testemunhas em agosto, mas as datas dos depoimentos só foram definidas pela PF no início de outubro, segundo o Jornal do Comércio.

Em abril, ao falar a uma comissão do Congresso, Galípolo afirmou que nenhuma auditoria ou sindicância interna do Banco Central encontrou culpa do ex-presidente no caso, segundo o Poder360. "Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos", declarou na ocasião.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A quebra deixou um rombo recorde de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre depósitos de clientes em caso de falência de bancos, de acordo com o Poder360. Segundo as investigações, o banco teria inflado seus ativos com fraudes em carteiras de crédito.

Vorcaro foi preso em março deste ano. Em depoimento anterior, segundo a CNN, ele afirmou que era comum servidores do Banco Central auxiliarem instituições financeiras. Até a publicação desta reportagem, não havia informação oficial sobre o conteúdo do depoimento de Campos Neto.