Polícia indicia três por cobranças irregulares em cemitério municipal de Esteio
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou três pessoas, duas delas servidoras da prefeitura de Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por suspeita de um esquema de cobranças irregulares e de serviços particulares no Cemitério Municipal da cidade.
O relatório final foi assinado pelo delegado Augusto Zenon de Moura Rocha, da 1ª Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública Municipal (Dercap). O ex-coordenador do cemitério, Taiguara Almeida da Cunha, e os sepultadores Adilson Silva da Silva e Deives Roberto Soares Teixeira Bottino foram indiciados por peculato e associação criminosa. Taiguara também responde por falsidade ideológica.
De acordo com a polícia, o ex-coordenador recebia diretamente valores pagos por famílias, sem que o dinheiro entrasse nos cofres do município. Em alguns casos, parentes que já tinham quitado as taxas descobriram depois que o débito continuava registrado na prefeitura. A investigação também apura cobranças por reformas em sepulturas feitas, segundo a suspeita, com materiais desviados da Secretaria de Obras.
Uma das famílias relatou ao g1 ter pago R$ 750 por PIX no momento do sepultamento, em julho de 2024, sob a informação de que o enterro não seria feito sem o pagamento. A cobrança oficial chegou meses depois, porque o valor nunca havia sido registrado.
Para o delegado, os elementos reunidos indicam atuação coordenada, e não episódios isolados. No relatório, ele afirma que os três mantinham “vínculo associativo estável e permanente, com divisão de tarefas”.
O caso veio a público em maio de 2025, em reportagem da RBS TV. Depois de processo administrativo, Taiguara foi exonerado, e os dois sepultadores receberam suspensão de dez dias. Questionada sobre a diferença entre as punições, a prefeitura disse que elas resultaram da “análise individualizada das condutas”.
O g1 informou ter procurado Taiguara e a prefeitura de Esteio para comentar os indiciamentos e aguardava retorno. Não foi possível localizar a defesa dos sepultadores. O inquérito foi remetido ao Judiciário e segue para o Ministério Público, que pode pedir novas diligências, oferecer denúncia ou pedir o arquivamento.