Nobel da Paz sai nesta sexta; Trump diz que merece o prêmio, mas duvida das chances
O Comitê Norueguês do Nobel anuncia nesta sexta-feira (9), em Oslo, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2026. A expectativa em torno da escolha voltou a envolver o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou na quarta-feira (7) merecer o prêmio.
“Não sei qual será a decisão deles. Eles têm a reputação de talvez não concedê-lo a pessoas como eu”, disse Trump a jornalistas no Salão Oval. O presidente afirma ter se envolvido na solução de oito conflitos desde que voltou à Casa Branca, em janeiro do ano passado. Partes de alguns desses conflitos contestam o papel atribuído por ele à diplomacia americana, e houve retomada de combates em regiões como a República Democrática do Congo e a fronteira entre Camboja e Tailândia.
Especialistas ouvidos pela agência Reuters consideram improvável que o americano seja premiado, já que os Estados Unidos estão em guerra contra o Irã há cerca de sete meses. A guerra na Ucrânia também segue sem acordo, embora Trump tenha prometido encerrá-la no primeiro dia de mandato.
O prêmio de 2025 foi para a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que, meses depois, entregou a medalha a Trump em busca de apoio dos EUA. Para Haakon Gjerloew, diretor interino do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, o episódio deve pesar nas considerações do comitê, formado por cinco integrantes.
Entre os nomes citados como possíveis vencedores estão o papa Leão XIV, primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos e crítico da guerra contra o Irã, o Tribunal Penal Internacional, a Corte Internacional de Justiça e a italiana Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos, criticada pelos governos dos EUA e de Israel.
Outra possibilidade apontada é uma escolha menos sujeita a atrito com Washington, como as Salas de Resposta de Emergência do Sudão, rede comunitária que atende a população durante a guerra civil no país, ou a organização Save the Children. O historiador Oeivind Stenersen disse à Reuters que o comitê sofre pressão para responder às críticas de Trump à ordem internacional.