Peste pneumônica: o que é, como se transmite e qual o risco após o caso na Rússia

A morte de uma pesquisadora de 28 anos que trabalhava em um instituto de estudo da peste na região de Irkutsk, na Sibéria, levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a pedir mais informações à Rússia. A causa da morte ainda não foi determinada. Segundo as autoridades russas, as pessoas que tiveram contato com ela testaram negativo para peste pneumônica, e a maior parte das cerca de 200 que ficaram em observação já foi liberada.

A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis, encontrada em pequenos mamíferos e nas pulgas que os parasitam. Há três formas principais: a bubônica, mais comum, que afeta os gânglios linfáticos; a septicêmica, quando a bactéria chega ao sangue; e a pneumônica, que atinge os pulmões e é considerada pela OMS a mais virulenta, embora seja menos frequente.

A transmissão para pessoas pode ocorrer pela picada de pulga infectada ou pelo contato com animais contaminados. A forma pneumônica tem uma característica que a torna mais preocupante: pode passar de pessoa para pessoa por gotículas liberadas na tosse, em geral com contato próximo. Os sintomas incluem febre, calafrios, dor no peito, falta de ar e tosse, às vezes com sangue.

O período de incubação pode ser inferior a 24 horas. Segundo a OMS, sem tratamento, a doença pode matar entre 18 e 24 horas após o início dos sintomas. A boa resposta aos antibióticos, quando o tratamento começa cedo, é o principal fator que diferencia o cenário atual do da Peste Negra, que matou milhões de pessoas na Europa no século 14.

A doença não desapareceu. Estima-se que ocorram entre mil e três mil casos por ano no mundo, a maioria da forma bubônica e na África Central, com registros também na Rússia, na Índia, na China e nos Estados Unidos. Cerca de 200 espécies de roedores podem abrigar a bactéria.

A OMS considera baixo o risco para a população em geral e não recomenda vacinação ampla, apenas para grupos expostos, como profissionais de laboratório. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA afirmaram não haver indicação de ameaça mais ampla, e a autoridade de saúde do Reino Unido classificou o risco como “muito baixo”.

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