Exposição gratuita em São Paulo celebra os 90 anos de Tom Zé

A Caixa Cultural São Paulo abriu a exposição “Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons”, em homenagem ao cantor e compositor baiano, que completa nove décadas de vida no domingo (11). A mostra é gratuita e fica em cartaz até 13 de dezembro, na Praça da Sé, no centro da capital paulista.

Tom Zé visitou a exposição na noite de terça-feira (6). “Eu fiquei criança de alegria”, disse o artista à Agência Brasil, ao elogiar o trabalho da equipe.

Segundo a curadora, Neuseli Martins, a proposta é que o público vivencie a obra, e não apenas observe. O percurso começa em um espaço dedicado às referências musicais e literárias que formaram o repertório do artista, nascido em Irará, na Bahia, em 11 de outubro de 1936. Há ambientes que reproduzem a casa dele, outros que lembram os festivais de música em São Paulo, como o 4º Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, vencido com a canção “São Paulo, Meu Amor”, e registros de shows.

Uma das áreas trata da fase em que Tom Zé passou a criar instrumentos em busca de novos sons. Os visitantes podem tocar uma réplica do buzinório, instrumento inventado por ele, responder a um quiz sobre sua trajetória e deixar mensagens ao artista.

Um dos primeiros visitantes foi o músico Jarbas Mariz, que integrou a banda de Tom Zé por 32 anos. Ele contou que foi convidado a ceder “dois anos e meio” da carreira e acabou ficando três décadas. Mariz destacou a criatividade do compositor e o uso de materiais não convencionais nos arranjos.

Tom Zé foi um dos principais nomes do tropicalismo, movimento cultural que marcou a música e a literatura brasileiras no fim dos anos 1960, e tem projeção internacional. Desde 2022, ocupa uma cadeira na Academia Paulista de Letras. Perto dos 90 anos, segue compondo e gravando. “Estou a fim de chegar aos 100”, afirmou.