Galípolo diz à PF que houve 'demora injustificada' na fiscalização do Banco Master

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que houve "demora injustificada" na fiscalização do Banco Master, que pertencia a Daniel Vorcaro. As declarações foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela Folha de S.Paulo. Galípolo foi ouvido como testemunha na terça-feira (6).

Segundo os relatos, Galípolo disse que os dois servidores que comandavam a área de Supervisão Bancária resistiam a apresentar informações detalhadas sobre a situação da instituição. Ele contou à PF ter feito reuniões tensas com os dois para cobrar providências.

Os servidores são Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e, na época, chefe adjunto da área. O inquérito apura se eles atuaram em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC. Uma sindicância interna do banco apontou indícios de que ambos simularam negócios para ocultar o recebimento de propina, segundo a Folha.

As defesas negam. O advogado de Belline, Leonardo Palazzi, afirmou anteriormente que seu cliente não recebeu valor ou benefício do Master. O advogado Odel Antun, que representa Paulo Sérgio, disse ser "lamentável que a imprensa tenha acesso ao material dos autos antes da defesa" e afirmou que vai comentar depois de ler o depoimento.

A conduta dos dois ex-gestores também é analisada desde março pela Controladoria-Geral da União (CGU), em processo administrativo disciplinar que pode levar à expulsão do serviço público.

A PF também chamou para depor o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, mas os depoimentos previstos para esta semana foram adiados. O diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, tinha depoimento marcado para esta quinta-feira (8).

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