Governo Trump tira Microsoft e outras big techs de programa que leva ao green card


O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (8) a suspensão de grandes empresas de tecnologia e consultoria do processo que permite a funcionários estrangeiros obter o green card, a autorização de residência permanente no país. Além da Microsoft, a medida atinge Adobe, Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services (TCS), Wipro, HCL e Capgemini, segundo a agência Reuters.
O anúncio foi feito pelo vice-presidente JD Vance em um evento sobre proteção ao trabalhador americano e combate a fraudes em vistos. "Nossa mensagem para a Microsoft é: vocês são uma grande empresa norte-americana, mas precisam contratar grandes trabalhadores norte-americanos", disse. Mais cedo, a Microsoft havia sido a única citada.
As empresas deixam de participar do PERM, a certificação do Departamento do Trabalho em que o empregador precisa demonstrar que não encontrou um americano qualificado e disponível para a vaga. Na maior parte dos casos, é a etapa que abre caminho para o green card por motivo profissional. "Não aceitaremos novos pedidos de certificação permanente de trabalho, nem processaremos quaisquer pedidos pendentes que envolvam essas empresas", afirmou o secretário do Trabalho, Keith Sonderling.
O governo diz suspeitar de irregularidades e fraudes no uso dos programas migratórios, mas não apresentou provas detalhadas publicamente. Vance também acusou a Microsoft de usar de forma abusiva o visto H-1B, destinado à contratação temporária de profissionais estrangeiros altamente qualificados, que, segundo ele, deveria valer só para vagas impossíveis de preencher com americanos. As empresas de tecnologia argumentam há anos que o programa supre a falta de especialistas em engenharia, computação e inteligência artificial. A Microsoft não respondeu de imediato aos pedidos de comentário da Reuters.
A ofensiva vai além das empresas. Nove universidades, entre elas Harvard, Yale e Stanford, serão investigadas por suspeita de uso inadequado de programas para estudantes e pesquisadores estrangeiros, que estariam sendo usados para reduzir custos com mão de obra. Nos últimos dias, o governo também sinalizou mudanças nos vistos H-1B e J-1.
A suspensão pode afetar milhares de profissionais que dependiam do patrocínio das empresas para obter a residência permanente, incluindo quem já trabalha nos Estados Unidos.
