Endividamento das famílias cai pela primeira vez no ano, mas atraso médio cresce
O endividamento das famílias brasileiras caiu pela primeira vez desde dezembro de 2025. A parcela de famílias com dívidas a vencer passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada na quinta-feira (8).
O indicador vinha subindo desde dezembro, quando estava em 80,9%, e chegou ao pico de 82,2% em abril e maio. A CNC espera que o ano termine perto de 81,5%. Estar endividado não significa estar com contas atrasadas: o índice inclui quem paga em dia cartão de crédito, financiamento, empréstimo ou carnê.
A inadimplência, que mede as contas vencidas, caiu de 29,9% para 29,6%, abaixo dos 30,5% de um ano antes. As famílias que dizem não ter como pagar as dívidas atrasadas ficaram estáveis em 12,5%. Mas o tempo médio de atraso subiu pelo segundo mês seguido, para 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024, e 48,9% das dívidas em atraso estavam vencidas havia mais de 90 dias.
O orçamento segue apertado. Em média, as famílias destinam 29,6% da renda às dívidas, e 19,4% delas comprometem mais da metade do que ganham, o maior percentual desde fevereiro. As dívidas com prazo superior a um ano chegaram a 33,8% do total.
A inadimplência caiu nas três faixas de menor renda: de 38,8% para 38,5% entre quem ganha até três salários mínimos. Só entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos houve alta, de 14,9% para 15%. Para a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, ouvida pelo g1, isso não indica necessariamente piora: parte desses consumidores pode estar parcelando compras para manter o dinheiro aplicado em renda fixa.
Segundo ela, a melhora ainda é pequena e pode estar ligada ao mercado de trabalho e a programas de renegociação, que alongam os prazos. "As pessoas precisam entender que o cartão de crédito não é uma extensão da renda", afirmou a economista, que recomenda evitar parcelar consumo imediato, como compras de supermercado.