Lula critica 'tesouraço' e cobra voto da 6x1; Flávio diz que não cortará aposentadorias


O ajuste nas contas públicas e o fim da escala 6x1 dominaram as declarações dos dois candidatos à Presidência na quinta-feira (8). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que o corte de despesas defendido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), chamado de "tesouraço", vai atingir programas sociais. Flávio respondeu que aposentadorias e o Bolsa Família não serão cortados.
Lula disse que o PL e Flávio não querem se comprometer com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1, em análise no Senado. "Eu estou sabendo, pelo noticiário da imprensa, que o meu adversário está propondo ao partido dele abstenção", afirmou. A oposição tenta adiar a votação para depois do segundo turno, e o grupo de Flávio defende um texto alternativo do senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê livre negociação entre empregador e trabalhador e permite reduzir a jornada com redução de salário. O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), que apoia Flávio, defendeu a votação da PEC.
Para ilustrar o que chamou de "aberração", Lula listou reduções no Orçamento de 2023 enviado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), como 59% no Farmácia Popular, 95% no Minha Casa, Minha Vida e 99% em prevenção de desastres. "Agora eles estão dizendo que vão fazer corte", disse. Segundo ele, a relação entre dívida e PIB só cai com crescimento econômico.
Flávio afirmou que não fará "economia em cima de quem precisa". "Aposentado, fique tranquilo. Não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com reajuste de aposentadoria", disse, após receber o apoio do Podemos. Segundo o Jornal Nacional, ele prometeu reajuste acima da inflação para aposentadorias. O senador também disse que vai aumentar o Bolsa Família, sem detalhar como: "Bolsa família é sagrado, ninguém toca".
Lula rebateu a promessa sobre aposentadorias: "Ele não tem experiência". Segundo o Estadão, a equipe econômica de Flávio tem defendido um corte expressivo de despesas para reduzir o endividamento, mas ainda há indefinições sobre quais gastos seriam atingidos.
O segundo turno será em 25 de outubro.
