EUA vão transmitir ao vivo fuzilamento de ex-militar que matou 13 soldados em 2009


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na quinta-feira (8) que a execução por fuzilamento do ex-major do Exército Nidal Hasan, prevista para 3 de dezembro, será pública. Um funcionário do Departamento de Defesa disse à BBC que ela será transmitida ao vivo.
"Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público", disse Hegseth em entrevista ao canal Real America's Voice. "Porque as pessoas precisam entender que existem consequências sérias para esse tipo de coisa." A BBC procurou a Casa Branca para saber se o presidente Donald Trump apoia a transmissão.
Hasan, psiquiatra do Exército, matou a tiros 13 soldados desarmados e feriu outros 32 em 5 de novembro de 2009, na base de Fort Hood, no Texas. O ataque ocorreu em um prédio médico onde militares que seriam enviados ao exterior aguardavam exames e vacinas. Foi o ataque fora de combate mais letal já sofrido por uma base americana. No julgamento, em 2013, ele admitiu ser o atirador, pediu desculpas por "quaisquer erros" e disse acreditar que protegia muçulmanos e o Talibã no Afeganistão.
O Pentágono anunciou na segunda-feira (5) que Hegseth recomendou a execução e que Trump a aprovou, exigência da lei militar. Será a primeira execução de um militar nos EUA em mais de 60 anos e a primeira por fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial. Hasan é um dos quatro presos no corredor da morte das Forças Armadas. A pena de morte militar foi considerada inconstitucional em 1983 por um tribunal de apelações e restabelecida no ano seguinte por ordem executiva de Ronald Reagan.
O fuzilamento é raro no país: no ano passado, a Carolina do Sul usou o método pela primeira vez em 15 anos nos EUA. Idaho, Mississippi, Oklahoma e Utah também o permitem. Trump retomou, no primeiro dia do segundo mandato, as execuções em casos federais, suspensas no governo de Joe Biden.
Para o advogado John Mills, que atua na defesa de condenados à morte, não há precedente moderno de execução pública. Segundo ele, a apelação de Hasan não terminou, e um provável pedido de revisão na Justiça federal deve suspender a execução. "É improvável que aconteça", disse à BBC.
