Estudo associa consumo alto de ultraprocessados a risco maior de câncer de próstata

Homens que consomem mais alimentos ultraprocessados tiveram risco maior de câncer de próstata em um estudo com 17.024 adultos dos Estados Unidos publicado no The American Journal of Medicine. A pesquisa, de cientistas da Florida Atlantic University, encontrou aumento de 24% a 31% no risco, depois de considerar idade, raça e etnia, tabagismo e renda.

Os pesquisadores usaram dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), do governo americano, coletados entre 2003 e 2023. A alimentação foi medida por dois relatos de tudo o que o participante comeu em 24 horas e classificada pelo sistema NOVA, que separa os alimentos pelo grau de processamento. No grupo de maior consumo, os ultraprocessados chegavam a 55,1% das calorias diárias; no de menor, a 12,6%. Do total, 599 homens (3,5%) relataram diagnóstico de câncer de próstata.

"Esses resultados se somam às evidências crescentes de que os ultraprocessados têm grandes efeitos adversos à saúde", afirmou o autor sênior, Charles H. Hennekens, segundo o portal ecancer. No grupo de consumo mais alto isoladamente, o aumento estimado foi de 34%, mas sem significância estatística, possivelmente pelo número menor de casos.

O estudo, porém, não permite afirmar que esses alimentos causam a doença. Ele é observacional, mostra uma associação e se baseia em informações relatadas pelos próprios participantes, inclusive o diagnóstico. Os autores defendem pesquisas que acompanhem as pessoas ao longo do tempo e ensaios clínicos para testar a hipótese.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais frequente entre os homens. A idade e o histórico familiar, sobretudo de casos antes dos 60 anos, estão entre os principais fatores de risco.

A recomendação dos especialistas continua a mesma: alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso e não fumar fazem bem à saúde em geral, e a decisão sobre quando e como avaliar a próstata deve ser tomada com o médico, conforme o risco de cada um.