Suíça perde quase 20% do gelo das geleiras em cinco anos, aponta monitoramento

As geleiras da Suíça perderam quase 20% de sua massa nos últimos cinco anos, segundo relatório da Glamos, a rede de monitoramento glacial do país. Em 2026, desapareceram 5,5% do volume total de gelo das montanhas suíças, a segunda maior perda anual já registrada.

A perda ocorreu depois de um inverno com pouca neve e de um verão de calor recorde. Junho, julho e agosto foram, cada um, os meses mais quentes já registrados na Suíça desde o início das medições, em 1864, segundo o Escritório Federal de Meteorologia e Climatologia. Os cientistas estimam que o país perdeu cerca de 2,2 trilhões de litros de gelo apenas entre julho e setembro, volume que equivale a mais de quatro vezes o consumo anual de água potável das residências suíças.

O relatório mostra aceleração do derretimento. Entre 2022 e 2026, a taxa foi mais que o dobro da de qualquer outro período de cinco anos monitorado. Entre 1990 e 2000, o país perdeu 10% do volume de gelo; na última década, 27%. A Aletsch, maior geleira da Suíça, teve neste ano o maior recuo já registrado, e a de Tsanfleuron perdeu mais de quatro metros de espessura média.

O chefe da Glamos, Matthias Huss, classificou 2026 como um ano catastrófico para as geleiras. Na Scex Rouge, a quase 3.000 metros de altitude, uma estaca de quatro metros instalada no fim de julho, então totalmente coberta, tem agora mais de três metros expostos. "Esta é uma geleira que não está sobrevivendo", disse Huss. "Provavelmente não haverá mais gelo daqui a 10 ou 15 anos."

Segundo o pesquisador, a velocidade do derretimento já era conhecida pelos cientistas, mas a paisagem atual chama atenção: em várias montanhas já não resta neve, apenas rochas e geleiras escurecidas, que ele descreveu como "um vestígio do passado".

As conclusões se baseiam em medições feitas em setembro em 23 geleiras de referência, cujos resultados foram extrapolados para as cerca de 1.300 formações glaciais que ainda existem no território suíço. Os Alpes estão entre as regiões mais afetadas pelo aumento da temperatura.