Jurista sul-africana Navi Pillay ganha o Nobel da Paz; Israel critica escolha
A jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9), em Oslo, pelo Comitê Norueguês do Nobel, que citou seus "esforços para promover a paz e o direito internacional". Ela recebe uma medalha e 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.
Filha de uma família de origem indiana, Pillay começou a advogar em Durban durante o apartheid e defendeu presos políticos na década de 1970, garantindo que Nelson Mandela tivesse acesso a advogado na prisão. Depois do fim do regime, foi a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul.
Entre 1995 e 2003, foi juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que presidiu nos últimos quatro anos. Participou do julgamento que reconheceu o estupro e a violência sexual como atos de genocídio. Também foi juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) e, de 2008 a 2014, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.
A escolha gerou reação por causa de sua atuação recente: Pillay presidiu a comissão independente contratada pela ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. O relatório também acusou Israel e o grupo terrorista Hamas de crimes de guerra. Israel não colaborou com a investigação e chamou as acusações de falsas.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que o prêmio é "a grotesca instrumentalização" da honraria "para legitimar o ódio e o preconceito anti-Israel". Segundo a agência AFP, citada pela Folha de S.Paulo, o comitê afirmou que não toma posição sobre se a campanha militar israelense constitui genocídio.
O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, disse que o prêmio é "uma mensagem àqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional", fala interpretada por veículos internacionais como referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs sanções a juízes do TPI. Trump compartilhou nas redes sociais uma publicação crítica a Pillay.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, parabenizaram a jurista. Pillay dedicou o prêmio aos sobreviventes de crimes internacionais. No ano passado, o Nobel da Paz foi para a líder oposicionista venezuelana María Corina Machado.