Inflação de setembro sobe 0,82%, maior para o mês desde 2021, e estoura o teto da meta
A inflação oficial do país voltou a subir em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% no mês, a maior alta para setembro desde 2021, informou nesta sexta-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto, o índice havia registrado deflação de 0,32%.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58% e voltou a ficar acima do teto da meta, de 4,5%. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual. Pelo sistema atual, o descumprimento só é caracterizado se a inflação ficar fora do intervalo por seis meses seguidos. No ano, a alta acumulada é de 3,95%.
O número superou as estimativas. Segundo a agência Reuters, citada pela CNN Brasil, o mercado esperava 0,73%; o boletim Focus da segunda-feira (5) projetava 0,60%. A estimativa do mercado para a inflação no fim de 2026 está em 5,01%, acima do teto.
O principal peso no bolso veio da energia elétrica, que subiu 7,98% após o fim do desconto do Bônus de Itaipu, aplicado nas faturas de agosto. Sozinha, a conta de luz respondeu por 0,32 ponto da alta do mês. A bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh, continuou em vigor. Com isso, o grupo Habitação subiu 2,31%.
Todos os nove grupos pesquisados tiveram alta. Em Transportes (0,89%), as passagens aéreas subiram 9,66% e os combustíveis, 1,41%, com etanol (3,16%), diesel (1,69%) e gasolina (1,21%) mais caros. Alimentação e bebidas avançou 0,83% depois de três meses de queda, com destaque para tomate (37,76%), batata-inglesa (24,07%), cebola (10,14%) e arroz (4,56%). Frango e frutas ficaram mais baratos.
Para analistas ouvidos pelo g1, o resultado pode tornar o Banco Central mais cauteloso na redução da taxa Selic. Matheus Villela, da Aware Investments, afirmou que a pressão se espalhou além dos itens mais voláteis e que o cenário "fortalece o argumento por um ritmo mais gradual ou uma pausa" nos cortes de juros. Já o economista Roberto Luis Troster, ouvido pela Agência Brasil, classificou o impacto da energia como um "efeito pontual".