Dino divulga relatório do STF com milhares de ameaças de morte a ministros

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta sexta-feira (9) trechos de um relatório da área de segurança da Corte que, segundo ele, reúne milhares de mensagens com ameaças de assassinato e de agressão contra ministros do tribunal. A publicação foi feita nas redes sociais.

De acordo com o material, as mensagens citam, além de Dino, os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Há referências a fuzilamento, explosões e invasão do STF. Segundo o Poder360, o relatório aponta a rede social X como a plataforma com maior volume de publicações hostis. Para a Gazeta do Povo, as mensagens se concentraram na semana do primeiro turno.

Algumas publicações associam as ameaças a decisões do ministro, como as relacionadas ao acesso a armas e às regras de transparência das emendas parlamentares. "O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência", escreveu Dino.

O ministro afirmou que, em 37 anos de serviço público, nunca respondeu a processo criminal e que quem discorda de decisões judiciais deve recorrer aos colegiados competentes. "Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões", declarou. Ele disse ainda que não alterará sua atuação. "Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição."

Na quinta-feira (8), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou ter registrado cerca de 30 mil manifestações nas redes com desinformação, exposição de dados pessoais, discurso de ódio e ameaças veladas, inclusive contra familiares de integrantes da Justiça Eleitoral. A Corte acionou a Polícia Federal para investigar as postagens e comunicou o caso às plataformas X e Meta.

Ameaça a autoridade pública pode configurar crime previsto no Código Penal. O relatório divulgado por Dino não informa se os autores das mensagens já foram identificados.

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