Juros altos seguem como maior barreira ao crédito para a indústria, aponta CNI
Os juros altos continuam sendo o principal obstáculo para as indústrias brasileiras conseguirem crédito, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre as empresas que tiveram dificuldade para obter financiamento de curto ou médio prazo, 76% apontaram as taxas elevadas como uma das principais barreiras. Nas operações de longo prazo, com mais de cinco anos, o percentual foi de 69%.
A Sondagem Especial – Condições de Acesso ao Crédito ouviu 1.701 indústrias, sendo 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes, entre 3 e 12 de agosto, sobre o período de fevereiro a julho. Os juros perderam um pouco de peso em relação a 2025, quando eram citados por 80% e 71% das empresas, respectivamente.
"A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas", afirmou a analista de Políticas e Indústria da CNI Maria Virgínia Colusso.
Apesar disso, ficou mais difícil conseguir o dinheiro. Entre as empresas que de fato procuraram crédito, a taxa das que não conseguiram subiu de 20% para 24,7% no curto e médio prazo e de 33% para 37,2% no longo prazo. As menores sofrem mais: no longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias indústrias não obtiveram o financiamento buscado, contra 29,9% das grandes.
Depois dos juros, as exigências de garantias reais aparecem como o segundo entrave (33,4% no curto e médio prazo). A burocracia foi citada por 13,6%, e o prazo de carência insuficiente, por 18,9% nas operações longas.
A pesquisa também mostra que muitas empresas usam crédito de longo prazo para pagar despesas do dia a dia. Entre as que buscaram esse tipo de financiamento, 28,7% tinham como principal finalidade o capital de giro, acima dos que pretendiam investir em máquinas e equipamentos (23,6%). Para a CNI, o dado chama atenção porque linhas longas costumam ser usadas para investimento.
Questionadas sobre o que facilitaria o acesso ao crédito, as indústrias apontaram em primeiro lugar a redução de custos tributários e administrativos (38,4%), seguida da ampliação das linhas públicas (22,8%) e da simplificação das exigências bancárias (21,1%).