MEC anuncia R$ 28 milhões para reconstruir prédio da UFPE destruído por incêndio
O Ministério da Educação (MEC) anunciou R$ 28 milhões para construir um novo prédio no lugar do edifício da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) destruído por um incêndio na noite de quarta-feira (7), no campus do Recife. Segundo o ministro Leonardo Barchini, a nova estrutura terá 7 mil metros quadrados, mais que o dobro dos 3 mil metros quadrados do prédio atingido.
O MEC também se comprometeu com a recompra integral dos equipamentos de laboratório perdidos, orçados inicialmente em R$ 100 milhões, mesmo valor da estimativa preliminar de prejuízo feita pela reitoria. O prédio abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética e a superintendência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no Nordeste.
Para reduzir o impacto sobre as pesquisas, o governo prorrogou a vigência de bolsas e abriu um edital especial do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior para que teses em fase final sejam concluídas em países parceiros, como Alemanha, Estados Unidos e França. Mestrandos e pós-doutorandos poderão continuar os trabalhos em outras instituições brasileiras. Segundo a reitoria, cerca de 80 dissertações e teses foram afetadas, e houve perda de dados de duas décadas, incluindo um acervo de mais de 10 mil amostras de um estudo sobre dores causadas pela chikungunya.
A causa do incêndio, o terceiro na universidade em pouco mais de uma semana, ainda não foi determinada. A Polícia Federal foi acionada por causa de mensagens com ameaças que circularam nas redes e em grupos de estudantes na semana do fogo. Segundo a Folha de S.Paulo, a corporação já ouviu suspeitos de enviar as mensagens e usou drones e robôs para os primeiros levantamentos. A perícia no local depende do escoramento da estrutura e terá apoio do Instituto Nacional de Criminalística.
Os dois incêndios anteriores já têm causa apontada pela universidade: um experimento com equipamento de alta temperatura no Departamento de Física, em 30 de setembro, e um curto-circuito em um ar-condicionado, em 4 de outubro.
O reitor, Alfredo Macedo Gomes, afirma que o orçamento discricionário da UFPE caiu 54% em 12 anos, em valores corrigidos: de R$ 414 milhões em 2014 para R$ 190 milhões previstos em 2026. Segundo ele, a verba não cobre adequadamente a manutenção dos mais de 370 prédios, alguns com até 80 anos. A universidade diz que havia manutenção preventiva e que o prédio não tinha notificações de risco.