Copiloto da FlyDubai queria jogar avião contra aeroporto de Tel Aviv, dizem Emirados
O copiloto que agrediu o comandante de um voo da FlyDubai no fim de setembro pretendia lançar o avião contra um terminal do Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, para matar o maior número possível de pessoas. A conclusão foi divulgada nesta sexta-feira (9) pelo procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif al-Shamsi, segundo quem o plano foi inspirado nos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.
O voo FZ1073 saiu de Dubai em 30 de setembro com 174 passageiros, a maioria israelenses. Sobre o espaço aéreo da Arábia Saudita, o copiloto agrediu o comandante, o indiano Smit Machchhar, com o machado de emergência da cabine. Ferido, o piloto conseguiu abrir a porta, e passageiros e tripulantes dominaram o agressor. Um piloto fora de serviço que estava a bordo assumiu o comando, e o avião pousou em Tabuk, na Arábia Saudita. Segundo o site Flightradar24, a aeronave perdeu cerca de 17 mil pés de altitude em um minuto.
De acordo com o procurador, o suspeito, um cidadão de Omã de 29 anos, já tinha feito duas viagens a Tel Aviv e as usou para se familiarizar com a rota e o aeroporto. A investigação aponta sinais de radicalização desde 2017, quando ele estudava na Austrália, com consumo de propaganda terrorista. Aos investigadores, ele disse ter se preparado física e psicologicamente, inclusive com aulas de boxe.
Al-Shamsi afirmou que o copiloto tinha licença, atestado de bons antecedentes e passou pelas verificações exigidas. "Nenhum dos procedimentos revelou qualquer indício de suas opiniões extremistas ou de sua intenção de executar um plano terrorista", disse. Ele trabalhou na Oman Air e entrou na FlyDubai em janeiro de 2026. A Royal Air Maroc informou que ele fez três meses de treinamento na empresa em 2025, mas teve a contratação recusada. A FlyDubai não comentou.
As autoridades não divulgaram o nome do suspeito, identificado pela agência Reuters como Hammam al-Hammami. Ele foi transferido para os Emirados, e a Arábia Saudita conduz uma investigação separada.
Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o copiloto passou por radicalização islâmica e ordenou revisão da segurança dos voos estrangeiros para o país. Opositores questionam como um piloto de um país sem relações diplomáticas com Israel foi autorizado a operar a rota.