PGR e defesa de Vorcaro suspeitam que áudio sobre filme de Lula foi gravado ilegalmente

Procuradores que acompanham as investigações sobre o Banco Master suspeitam que o áudio em que Daniel Vorcaro afirma ter destinado recursos a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi gravado ilegalmente na prisão para ser usado na campanha eleitoral. A informação foi publicada pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira (9).

O material foi divulgado pela revista Veja. Na gravação, a voz atribuída a Vorcaro diz que negociou com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto acesso a fundos de pensão de servidores e que R$ 30 milhões teriam ido para o filme "Lula", do cineasta Oliver Stone. A equipe do diretor afirma que nunca pediu nem recebeu dinheiro do ex-banqueiro.

Segundo a Folha, se a gravação foi feita na Papudinha, em Brasília, onde Vorcaro está preso, ela seria ilegal, porque visitantes não podem entrar com gravador ou celular. Parte dos 23 advogados da defesa também acredita em gravação clandestina, mas feita há mais tempo e divulgada agora.

A Polícia Federal informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito pela revista nem entregou documentos sobre o assunto. A Procuradoria-Geral da República declarou que não houve depoimento oral do ex-banqueiro porque a proposta de delação foi rejeitada. A defesa disse que não reconhece "a origem, autenticidade e integridade" do material.

A campanha de Lula afirma que o áudio pode ter sido editado e apresentou, segundo a CNN Brasil, cinco medidas: duas ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma delas para obrigar o PL a retirar um vídeo que reproduz a gravação, dois pedidos à PF e uma ação por danos morais contra a Editora Abril. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que pedirá direito de resposta.

A PF avalia se abre inquérito a partir de uma notícia-crime do grupo Prerrogativas, que pediu perícia no áudio. O caso Master também envolve o candidato Flávio Bolsonaro (PL): segundo reportagens, ele teria negociado com Vorcaro repasses para o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Integrantes do PT e do governo classificaram a divulgação do áudio como uma possível articulação para favorecer o senador na disputa.

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