Casos de violência política contra mulheres passam de 15 para 177 desde 2022, aponta TSE

Os casos de violência política de gênero registrados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passaram de 15, em 2022, para 177 em 2026, um aumento de cerca de 11 vezes, segundo dados reunidos pela Agência Brasil e divulgados neste sábado (10), Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher.

Um levantamento das organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global contou 134 casos de violência política durante a campanha, até o primeiro turno, em 4 de outubro, o equivalente a um a cada nove horas. Em 70 deles (52,2%), as vítimas eram mulheres. Entre os 102 episódios dirigidos apenas a candidatos, 60 (58,8%) atingiram candidatas, embora elas sejam cerca de um terço do total de concorrentes.

A Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, do Ministério das Mulheres, recebeu 1.564 denúncias de violência política contra mulheres de janeiro a agosto deste ano. No fim de setembro, entidades da sociedade civil entregaram ao TSE um documento com relatos de agressões físicas e verbais e ameaças de morte e de estupro contra candidatas.

Um dos casos mais recentes é o da deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, segunda mais votada em Minas Gerais, com 524 mil votos. Ela relatou ameaças de morte e de estupro nas redes sociais, teve dados pessoais expostos e desativou a conta no X. Segundo a deputada eleita, as mensagens chegavam a cada dois minutos.

Na sexta-feira (9), o Ministério da Justiça pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito e providências junto ao X e à Meta para identificar os autores. A Polícia Civil de Minas já investigava ameaças recebidas por ela durante a campanha, entre elas um e-mail de um autor que se identificou como integrante de um grupo supremacista branco. "Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaça de morte por estar politicamente engajado", disse Ana Elisa em vídeo.

Denúncias podem ser feitas pelo Ligue 180, que funciona 24 horas, de graça, também pelo WhatsApp (61) 9610-0180, além da Polícia Federal, das delegacias e do Ministério Público Eleitoral. Em emergências, o número é o 190.