Câncer de bexiga: sangue na urina é o principal sinal, e cigarro pesa em metade dos casos


O câncer de bexiga deve registrar 13.110 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026-2028, sendo 9.040 em homens e 4.070 em mulheres, segundo projeção do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em 2024, a doença causou 5.483 mortes no país. O tema ganhou atenção depois que Leandro de Souza, conhecido como o homem mais tatuado do Brasil, contou que tem um tumor que atingiu o músculo da bexiga.
O sinal mais frequente é sangue visível na urina, em geral sem dor e de forma intermitente, o que leva muitas pessoas a adiar a ida ao médico, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O tipo mais comum começa nas células que revestem a parte interna do órgão e pode avançar até a parede muscular, os gânglios e outras partes do corpo.
O tabagismo multiplica por pelo menos três o risco e está associado a mais de 50% dos diagnósticos, segundo a SBU. A exposição profissional a corantes e aminas aromáticas, usados em indústrias de tintas, borracha, couro e têxteis, também é fator de risco. Nove em cada dez pacientes têm mais de 55 anos, segundo a Sociedade Americana de Câncer. Não há estudos que liguem tinta de tatuagem a tumores de bexiga.
Quando o tumor está só na superfície, pode ser retirado por dentro, por um instrumento introduzido pela uretra, muitas vezes com imunoterapia local feita com o bacilo BCG. Se já invadiu o músculo, as diretrizes brasileiras de 2026 indicam quimioterapia seguida da retirada da bexiga, como no caso de Leandro, que fará de quatro a seis sessões antes da cirurgia, prevista para 2027.
O estágio no diagnóstico é o fator que mais pesa. Nos Estados Unidos, 98% dos pacientes com tumor restrito ao revestimento estavam vivos cinco anos depois; entre os que tinham a parede do órgão atingida, 73%. Para o oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, a imunoterapia ampliou a resposta ao tratamento nos casos avançados.
