ONU corta mais de 10 mil postos e Acnur alerta para refugiados sem ajuda no Brasil

O sistema das Nações Unidas cortou mais de 10 mil postos de trabalho em um ano em meio a uma crise financeira, segundo dados do Conselho de Chefes Executivos da ONU publicados pelo g1. Em 2024, a organização tinha 130.948 postos; em 2025, o número caiu para 120.176, uma redução de 8%. Para 2026, foi aprovada a extinção de outros 2,9 mil cargos.

Os cortes atingiram 21 das 41 agências e organismos da ONU em 2025. Entre os mais afetados estão o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A organização também abriu um programa de demissão voluntária e de aposentadorias antecipadas.

Em 2025, a estrutura da ONU custou US$ 64,3 bilhões, queda de 2% em relação a 2024. O porta-voz do secretário-geral António Guterres, Stéphane Dujarric, disse ao g1 que os Estados Unidos reduziram drasticamente as contribuições voluntárias para a assistência humanitária. O país respondia por cerca de 45% do orçamento da área, e países europeus também fizeram cortes. Segundo a reportagem, os EUA também devem contribuições obrigatórias à organização.

O Acnur pediu US$ 10,6 bilhões no ano passado e arrecadou menos de 40% do valor. A agência cortou um terço da força de trabalho, fechou escritórios em 140 locais e encerrou operações em 15 países. Até o fim de julho de 2026, recebeu US$ 2,7 bilhões dos US$ 8,5 bilhões necessários para o ano. Segundo o órgão, 8,3 milhões de pessoas podem deixar de receber assistência vital.

No Brasil, o representante do Acnur, Davide Torzilli, afirmou que a agência recebeu, até o fim de agosto, apenas 22% dos recursos necessários para 2026. No ano passado, 40% da força de trabalho do Acnur e de organizações parceiras no país foi cortada. Segundo a agência, as reduções colocam em risco a assistência a mais da metade dos refugiados que precisam de apoio, e famílias podem ficar sem abrigo, alimentação e itens básicos.

De acordo com Torzilli, até 500 pessoas chegam ao Brasil por dia para pedir proteção internacional, e já há casos de refugiados que deixaram de receber assistência no país.