Liquidante do Master pede nos EUA bloqueio de imóveis ligados a Vorcaro

A EFB Regimes Especiais, liquidante do Banco Master, pediu a um tribunal federal de falências da Flórida, nos Estados Unidos, a anulação de transferências e o bloqueio imediato de imóveis de luxo avaliados em mais de US$ 168 milhões, cerca de R$ 840 milhões. Segundo a petição, as propriedades foram compradas com dinheiro desviado da instituição. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e reproduzidas pelo jornal O Sul.

A peça lista três imóveis. Um fica em Owl Creek, em Aspen, e foi comprado à vista por US$ 77 milhões, cerca de R$ 385 milhões, com quase US$ 30 milhões, ou R$ 149 milhões, gastos em reformas e despesas. Os outros dois ficam em Sabal Palm Road, em Miami, e foram adquiridos em 2025, quando o banco já enfrentava dificuldades. No total, foram desembolsados US$ 127,5 milhões, cerca de R$ 639 milhões, entre aquisições e despesas.

De acordo com o liquidante, o dinheiro saía do banco no Brasil por duas rotas principais, uma pelas Bahamas e outra pelas Ilhas Cayman. Depois, seguia para Nova York, onde eram feitos empréstimos simulados a empresas de fachada nos Estados Unidos, criadas por meio de trusts familiares. Essas empresas compravam os imóveis em dinheiro, sem financiamento bancário.

Ainda segundo a petição, as empresas firmaram contratos de aluguel de dez anos que davam a Daniel Vorcaro, controlador do Master, o direito exclusivo de morar nos imóveis, com opção de compra que abatia de 70% a 100% dos aluguéis pagos. O liquidante afirma que Vorcaro usava as casas como residência e acompanhava as reformas, mas nunca pagou aluguel, e que as empresas jamais cobraram a dívida.

O documento também relata que uma sócia de um dos fundos procurou uma das empresas donas dos imóveis para dizer que Vorcaro havia sido listado por engano como proprietário e pediu que o registro fosse alterado para incluir um dos trusts no lugar dele.

As acusações constam da petição do liquidante e ainda serão analisadas pela Justiça americana. Procurada, a defesa de Vorcaro afirmou que não comentaria o caso.

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