Nobel de Economia 2026 premia Robert E. Hall e Michael Woodford


O Prêmio Nobel de Economia de 2026 foi concedido aos economistas americanos Robert E. Hall, professor da Universidade Stanford, e Michael Woodford, da Universidade Columbia, "pelos fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica". O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pela Academia Real das Ciências da Suécia.
Os vencedores vão dividir 12 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão). Segundo a academia, os dois desenvolveram modelos que ajudam governos e bancos centrais a reduzir as oscilações da economia, mostrando como medidas sobre juros, gastos públicos e impostos, quando adotadas no momento certo, podem amenizar crises e conter períodos de crescimento excessivo.
"Com eles, estamos mais preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas no consumo das famílias", afirmou John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas.
O ponto de partida foi a crise dos modelos inspirados em John Maynard Keynes. Durante os choques do petróleo dos anos 1970, as políticas de estímulo tinham dificuldade para reduzir o desemprego sem agravar a inflação. Hall e Woodford passaram a construir os modelos a partir do comportamento de famílias e empresas, em vez de se basear apenas em relações estatísticas entre inflação, produção e consumo.
Hall, nascido em 1943, em Palo Alto, mostrou em um artigo de 1978 que o consumo das famílias depende do que elas esperam ganhar no futuro, e não apenas da renda atual. Woodford, nascido em 1955, em Chicopee, no estado de Massachusetts, é autor do livro "Interest and Prices", de 2003, referência em teoria monetária, que explica como as empresas definem preços levando em conta o que esperam para os meses seguintes. Os dois fizeram doutorado no MIT.
Na prática, o trabalho mostra que não são apenas os juros atuais que importam, mas também o que famílias e empresas esperam das próximas decisões do banco central. "As autoridades não deveriam encarar a estabilização da economia como uma tarefa em que basta acionar alavancas para controlar a atividade econômica, sem considerar como as pessoas entendem essas medidas", disse Woodford, que classificou o prêmio como "uma honra tremenda e uma surpresa".
O prêmio de Economia foi criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia e não fazia parte dos prêmios previstos no testamento de Alfred Nobel. Em 2025, os vencedores foram Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt.
