Premiê britânico diz que Rússia interferiu no referendo do brexit em 2016

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que a Rússia interferiu no referendo de 2016 em que os britânicos decidiram deixar a União Europeia. Segundo a agência Reuters, ele é o primeiro chefe de governo britânico a dizer abertamente que há evidências de interferência russa na votação.

A declaração foi dada em entrevista ao podcast "The Rest Is Politics", divulgada no domingo (11). "Fiz a seguinte pergunta ao chegar a Downing Street: houve interferência da Rússia no referendo de 2016? E recebi a resposta clara de que sim, houve", disse. Burnham não explicou como a interferência teria ocorrido nem deu detalhes das evidências.

Nesta segunda-feira (12), o secretário adjunto do Ministério das Relações Exteriores, Stephen Doughty, afirmou à Sky News que não há evidências de que a Rússia tenha interferido com sucesso no referendo. "Eles não tiveram sucesso", disse. Um porta-voz de Burnham declarou que o governo considera o resultado legítimo.

A embaixada russa em Londres não respondeu aos pedidos de posicionamento. Moscou já negou ter interferido no referendo. Nigel Farage, um dos principais defensores do brexit, chamou Burnham de "mentiroso". A declaração também contrasta com a do ex-premiê Boris Johnson, que fez campanha pela saída da UE e afirmou, em 2020, não haver evidências de interferência russa.

No referendo, 52% votaram pela saída do bloco e 48% pela permanência. Um relatório do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico, divulgado em 2020, concluiu que o governo não havia investigado adequadamente a possibilidade de interferência russa e apontou que Moscou tentou influenciar a consulta de 2014 sobre a independência da Escócia.

Burnham, que assumiu o cargo em julho, disse que divulgar essas informações pode ajudar eleitores da Alemanha e da França a entender que "parte dessa política é instigada por nossos inimigos". Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ele deve defender nesta segunda no Parlamento uma reaproximação com a União Europeia e um novo acordo pós-brexit, que, para ele, poderia impulsionar o crescimento e ajudar a controlar a imigração. No mês passado, Burnham disse que poderia fazer campanha pelo retorno do país ao bloco nas próximas eleições gerais.