Justiça inglesa mantém Pogust Goodhead como advogado das vítimas de Mariana

O Tribunal Superior da Inglaterra negou nesta segunda-feira (12) a troca dos advogados que representam as vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), na ação coletiva movida em Londres contra a mineradora BHP. Na prática, a decisão mantém o escritório Pogust Goodhead à frente do caso.

A substituição havia sido aprovada no fim de agosto pelo comitê de clientes que representa as mais de 200 mil vítimas, em favor do escritório americano Bailey Glasser International (BGI). O BGI declarou receber a decisão com decepção. O comitê informou que vai avaliar com seus advogados "quais medidas poderá adotar" e afirmou ter manifestado, "de forma reiterada, sérias preocupações com a condução e os rumos do processo" sob o atual escritório.

A disputa opunha duas posições. O comitê dizia ter competência para escolher o escritório e alegava justa causa, sob o argumento de que a banca violou compromissos contratuais. O Pogust afirma ter contratos individuais com todas as vítimas. Em setembro, o juiz Adam Constable reuniu as ações das duas partes em uma só e marcou para outubro uma audiência sobre os poderes do colegiado.

O comitê foi criado em 2022 para intermediar a relação entre o escritório e os clientes. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os atritos começaram no ano passado, após a saída de Thomas Goodhead, um dos fundadores da banca. Depois disso, houve mais de 20 mudanças na equipe do caso.

A ação busca responsabilizar a BHP, que detinha 50% da Samarco, pelo desastre de 2015, que matou 19 pessoas e deixou mais de 2.000 desabrigados. O processo pede 36 bilhões de libras (cerca de R$ 251 bilhões) em indenização.

A BHP já foi considerada culpada. A fase que vai definir o valor das indenizações para os cerca de 400 mil clientes deve começar em abril de 2027. As vítimas que aceitaram acordo de indenização no Brasil não fazem parte desse grupo.