Arcebispo de Aparecida diz na missa da Padroeira que evangelho não autoriza ódio
O arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva, afirmou nesta segunda-feira (12), durante a missa solene do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que "o evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente nem a matar os inimigos". Segundo ele, o evangelho "nos autoriza a construir pontes onde se abrem precipícios, e túneis onde se erguem muros".
A missa começou às 9h no Santuário Nacional, com a Basílica lotada. Foi a primeira Festa da Padroeira conduzida por dom Mário, de 59 anos, como arcebispo. Ele assumiu a arquidiocese em maio, no lugar de dom Orlando Brandes, cujo pedido de renúncia foi aceito pelo papa Leão XIV.
Na homilia de 17 minutos, o arcebispo não fez comentários com teor político explícito. Citando Leão XIV, defendeu "uma paz desarmada e desarmante", criticou as divisões alimentadas por armamentos, guerras e confrontos e condenou a indiferença diante da fome, da pobreza, da violência e da destruição da natureza. "Às vezes conhecemos muito a palavra, mas praticamos pouco", disse. "Sabemos que Jesus manda servir, mas queremos ser servidos."
No encerramento, dom Mário afirmou que Nossa Senhora Aparecida é mãe de todos, "dos que têm muito, dos que têm pouco, dos que vivem no centro, dos que vivem nas periferias, dos que sofrem, dos que têm esperança".
Acompanharam a missa o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a mulher, Lu Alckmin, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), a deputada federal Tabata Amaral (PSB), o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma missa no Palácio da Alvorada, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tinha missa prevista na Catedral de Brasília.
A festa deste ano ocorre depois da circulação da alegação falsa de que Flávio apoiaria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o que o candidato nega. Muitos romeiros chegaram a pé pela Rodovia Presidente Dutra; a concessionária RioSP projetava superar os 40 mil registrados em 2025. A programação no santuário previa missa de encerramento às 18h, seguida de procissão e show pirotécnico às 19h30.