Educador de 32 anos se torna o primeiro mestre surdocego da UnB

O educador Iury Moraes, de 32 anos, tornou-se em setembro o primeiro mestre surdocego formado pela Universidade de Brasília (UnB). Ele também foi o primeiro aluno a ingressar na graduação de libras/português como segunda língua da instituição.

Iury nasceu com catarata e surdez profunda e, ao longo da formação, perdeu o restante da visão. Para ele, a conquista foi um "processo de vida". "Eu sinto que eu consegui vencer. Hoje, eu trabalho com esse processo de ensino", disse ao g1.

O trabalho final tem o título "O saber na experiência do trabalho com pessoa surdocega: uma escrita autobiográfica". Segundo a reportagem, a pesquisa amplia o debate acadêmico sobre acessibilidade e aponta estratégias para enfrentar os desafios da inclusão. Na apresentação, Iury foi acompanhado por intérpretes de libras tátil, que se revezavam para transmitir as informações. Na libras tátil, a comunicação em língua de sinais é feita pelo toque.

A orientadora, Liège Gemelli Kuchenbecker, do programa de pós-graduação em educação na modalidade profissional, destacou o papel da família durante o curso. "A gente faz, fez uma parceria gigantesca. Toda uma equipe, uma família por trás. Essa parceria foi essencial para que o Iury chegasse aonde está", afirmou.

A mãe de Iury, Elem Moraes, que se comunica com ele em libras tátil, ajudou na entrevista concedida à reportagem.

Agora mestre em educação, Iury quer seguir na carreira acadêmica e já pensa no doutorado. Ele também pretende disputar uma vaga de professor. "Eu quero, sim, passar no concurso da Secretaria de Educação", afirmou. "Eu consegui, eu nunca vou desistir. Eu sonho muito, eu sonho em trabalhar."

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