Focos de incêndio mais que dobram no Amazonas em 2026, mas ficam abaixo da média

O Amazonas registrou 7.815 focos de incêndio de 1º de janeiro a 12 de outubro, alta de 116% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 3.611, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), levantados pela Folha de S.Paulo. Apesar do aumento, o número está 12% abaixo da média histórica da série, iniciada em 1998, e 67% abaixo dos 23.475 focos do mesmo intervalo de 2024, ano de seca severa na Amazônia.

Quase um terço (31%) dos focos do último mês ocorreu em cidades da região metropolitana de Manaus, como Autazes (313), Itacoatiara (200), Careiro da Várzea (134) e Manacapuru (133). A maioria, porém, ficou nas fronteiras sul e sudeste do estado, com picos em Lábrea (379), Novo Aripuanã (311) e Boca do Acre (298) nos últimos 30 dias.

Na terça-feira (13), o governo federal anunciou o reforço da fiscalização e do combate a incêndios florestais criminosos no estado, com Ibama, Ipaam, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Federal. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, quase todos os incêndios no Amazonas têm origem em ação humana. As multas vão de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração, e as punições incluem embargo de áreas, apreensão de equipamentos e responsabilização criminal. A pasta informou ter mobilizado 11 aeronaves e 290 brigadistas.

O governo do Amazonas afirmou que mantém ações de prevenção e combate desde fevereiro, com cerca de mil profissionais desde junho, e atribuiu o cenário à estiagem e às altas temperaturas associadas ao El Niño. O Corpo de Bombeiros do estado diz ter atuado em 21.690 focos desde junho, 4.526 deles em Manaus. Para Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam, grande parte dos focos está em municípios ao longo da BR-319. “É claramente um processo de ocupação”, disse.

A fumaça também afeta o Pará. Em Itaituba, um avião da Azul não conseguiu pousar por causa da baixa visibilidade e retornou a Manaus; os passageiros foram reacomodados em voos do dia seguinte. Na segunda-feira (12), a Justiça Federal no Amazonas deu dez dias para que a União, o Ibama e os governos do Amazonas e do Pará expliquem as medidas adotadas contra as queimadas na Amazônia.

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