Setor de serviços recua 0,1% em agosto e fica abaixo do esperado pelo mercado


O volume do setor de serviços no Brasil caiu 0,1% em agosto na comparação com julho, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, a atividade havia ficado estável e, em junho, crescido 0,1%.
O resultado ficou abaixo das projeções. Economistas consultados pela agência Reuters esperavam alta de 0,4% na comparação mensal e de 1,1% sobre agosto do ano passado, segundo a CNN Brasil. Na comparação com agosto de 2025, o setor cresceu 0,6%. No acumulado do ano, a alta é de 1,7% e, em 12 meses, de 2,2%, o menor ritmo desde agosto de 2024, segundo o economista André Valério, do Inter, em análise citada pelo InfoMoney.
Três dos cinco segmentos recuaram de julho para agosto: outros serviços (-1%), transportes (-0,2%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,2%). Informação e comunicação ficou estável. O único avanço veio dos serviços prestados às famílias, com alta de 2,1%. Com o resultado, o setor está 19,9% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e 0,3% abaixo do pico da série histórica, de outubro de 2025. O índice de atividades turísticas subiu 2,5% no mês.
Para analistas, os números reforçam a desaceleração da economia. Em análise, a XP afirmou que "o setor de serviços não compensa mais a fraqueza em outros lugares" e piorou sua estimativa para o PIB do terceiro trimestre de -0,08% para -0,15% na comparação trimestral. O Bradesco estima que o PIB tenha ficado próximo da estabilidade no período e projeta alta de 1,7% em 2026.
Os juros altos estão entre os fatores citados. A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, avaliou que a Selic em patamar alto continua pesando sobre a atividade econômica. A taxa básica está em 13,75% ao ano, e o Banco Central volta a se reunir em 3 e 4 de novembro, depois do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Valério, do Inter, afirmou que os movimentos da Selic em 2027 dependerão do ajuste fiscal a ser implementado pelo próximo governo.
