TSE manda remover vídeo de Nikolas Ferreira em que crianças criticam Lula
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou na terça-feira (13) a remoção, em até 24 horas, de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em que crianças fazem críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao governo federal, ao Partido dos Trabalhadores e ao filho do presidente conhecido como Lulinha.
A peça foi publicada em 12 de outubro, Dia das Crianças, nas redes sociais do deputado e replicada no canal "Tropa do Flávio", do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), no WhatsApp. No vídeo, em trechos editados, crianças acusam Lula de crime e falam de temas como economia, segurança e medo do futuro. Em um dos trechos, uma criança diz que Lula e Lulinha seriam responsáveis pelo roubo do dinheiro da avó para comprar uma bicicleta.
A decisão, do ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira, atendeu a um pedido do PT. O partido argumentou que o vídeo leva o eleitor à desinformação, ao apresentar informações verdadeiras de forma fragmentada ou fora de contexto para induzir a uma conclusão enganosa. Segundo os advogados do partido, o conteúdo associa artificialmente Lula à ideia de que crianças perdem a infância por causa da violência e de outros problemas sociais. A defesa do PT sustentou ainda que o uso de crianças potencializa o impacto emocional da mensagem e pode comprometer a dignidade dos menores de idade.
Na decisão, o ministro afirmou que o vídeo "ultrapassa a barreira do razoável ao tentar atingir o eleitor psicologicamente mediante a abordagem indevida da propaganda negativa a um candidato veiculada massivamente na internet, aproveitando-se da exploração inadequada da inocência infantil". A medida foi tomada em caráter liminar e ainda será submetida ao plenário do TSE.
Segundo o g1, o vídeo foi removido do Instagram de Nikolas Ferreira e do canal de Flávio Bolsonaro no WhatsApp, mas continuava no ar nas contas do deputado no X e no Facebook. A reportagem não registra manifestação do deputado ou da campanha do senador sobre a decisão.