Motta busca apoio do Centrão e da base de Lula para se manter na presidência da Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou nesta semana as conversas com líderes partidários para tentar permanecer no cargo a partir de fevereiro de 2027, quando os deputados eleitos tomarão posse e escolherão o novo comando da Casa. Segundo a Folha de S.Paulo, o movimento é uma reação ao PL, que terá a maior bancada e defende a troca na presidência.

Na terça-feira (13), Motta recebeu o apoio público do PSD, cuja bancada tem mais de 40 deputados. O líder do partido, Antonio Brito (BA), era visto como possível rival. Sem detalhar contrapartidas, Motta disse que "quem chega primeiro bebe água mais limpa". Segundo aliados ouvidos pelo g1, ele tem para negociar a próxima vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), relatorias de propostas, cargos na Mesa e nas comissões e as emendas parlamentares.

De acordo com a Folha, Motta conta de forma extraoficial com o apoio do MDB e obteve sinalizações de alas do PP e do União Brasil. Deputados do PT indicaram adesão em reunião da bancada, mas o tema ainda será discutido antes de ser oficializado.

O PL conquistou 121 das 513 cadeiras e tem resistência ao atual presidente. Aliados de Motta avaliam que o partido não consegue, sozinho, eleger o comando da Câmara, já que é preciso maioria absoluta dos votantes. "O PL cresceu, mas dificilmente terá, ao mesmo tempo, a presidência da República, da Câmara e do Senado, isso enfraqueceria todos os outros partidos", disse ao g1 um interlocutor do presidente da Casa.

Na semana passada, em Goiânia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, falou em ter "maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara". Ao anunciar apoio a Flávio, o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), disse que o próprio candidato não tem resistências a Motta.

Segundo a Folha, Motta foi eleito com o apoio do PL, mas teve desgastes com a sigla, como não ter pautado a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e ter apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba. Na quinta-feira (8), os dois se reuniram, e Lula disse depois que "o Motta vai me ajudar a ganhar as eleições". Segundo aliados, Motta pretende esperar o resultado do segundo turno para abrir conversas com as diferentes forças políticas.