Ucrânia diz que restrição ao Starlink prejudicou missões militares na linha de frente

O governo da Ucrânia afirmou nesta quarta-feira (14) que operações militares ao longo da linha de frente da guerra com a Rússia foram prejudicadas por restrições no uso do Starlink, serviço de internet por satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk. Segundo a Folha de S.Paulo, os terminais passaram a falhar quando transportados a mais de 160 km/h, algo comum no deslocamento rápido para coordenar drones e artilharia.

"Nossas Forças Armadas não receberam nenhum aviso dessas restrições, e isso levou ao fracasso de uma série de missões", afirmou Serhii Beskrestnov, assessor do presidente Volodymyr Zelensky para tecnologia militar. Para ele, a medida "não é uma coincidência e está conectada à situação política atual". Segundo a CNN, a limitação atinge a versão do serviço voltada ao uso militar, chamada Starshield. Uma fonte do Ministério da Defesa ucraniano disse à emissora que a situação dificulta a logística, as operações com sistemas não tripulados e os ataques de médio alcance. O ministério afirmou que investiga as causas do problema.

A SpaceX e Musk não comentaram o caso. No sábado (10), Musk escreveu no X que "Zelensky foi longe demais", em referência aos ataques ucranianos contra instalações de combustíveis russas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia não tinha informações adicionais sobre as restrições e que considerava prematuro tirar conclusões mais amplas.

As queixas ocorrem em meio à pressão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Kiev suspenda os ataques a refinarias russas. Segundo a CNN, no último fim de semana Washington advertiu que poderia suspender o compartilhamento de inteligência e as compras europeias de armas americanas destinadas à Ucrânia. Na terça-feira (13), Zelensky disse que o país não recebeu alerta antecipado antes de um ataque com mísseis balísticos em Kiev. Trump negou ter interrompido a colaboração. "Estamos ajudando e compartilhando informações de inteligência", declarou.

Na madrugada desta quarta, um novo bombardeio russo deixou mais de 600 mil pessoas sem energia, segundo Zelensky, com mais de 120 drones e 39 mísseis balísticos lançados contra Kiev e Kharkiv. A Folha registrou três mortes em Kiev. Do lado russo, o Ministério da Defesa afirmou ter derrubado 902 drones ucranianos durante a noite.

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