Colômbia tem primeira onda de protestos contra o governo de Abelardo de la Espriella


Milhares de pessoas participaram na quarta-feira (14) de protestos contra o governo do presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, na primeira onda de manifestações desde a posse dele, há dois meses. Houve atos em Bogotá, Cali, Medellín, Bucaramanga, Pereira e Riohacha.
Os protestos foram convocados pela oposição, liderada pelo ex-presidente Gustavo Petro, e reuniram sindicatos, centrais sindicais, estudantes e o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC). Segundo os organizadores, os manifestantes se opõem à agenda econômica e de segurança do governo e ao aumento do custo de vida.
Na véspera, o presidente assinou o Decreto 1.525 de 2026, que muda as regras para a atuação das forças de segurança em manifestações e altera uma norma de 2021. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, citado pelo g1, o texto prevê que os policiais acompanhem os atos a quatro metros de distância dos participantes e amplia a lista de condutas consideradas violentas, como lançar objetos, danificar patrimônio, portar armas ou explosivos e reter pessoas contra a vontade.
O decreto também permite que as autoridades usem a força de forma legítima contra os responsáveis por atos violentos sem esgotar antes todas as etapas de diálogo. A intervenção, segundo o texto, deve ser dirigida a quem praticar essas ações.
De la Espriella afirmou que respeita o direito à manifestação pacífica, mas que não tolerará violência, vandalismo ou bloqueios. "O direito de protestar não está acima do direito de trabalhar, estudar, circular e viver em paz", escreveu no X. Ele classificou como possível caso de "terrorismo urbano" os episódios de terça-feira (13) na avenida Circunvalar, em Bogotá, onde pessoas encapuzadas atearam fogo nas ruas.
A oposição interpretou o decreto e a presença ampla de policiais nas cidades como tentativa de reprimir as manifestações, segundo a Agência Brasil. Os organizadores destacaram o caráter pacífico dos atos. O governo de De la Espriella também é criticado por opositores pela política de linha dura contra o narcotráfico e pela reaproximação com os Estados Unidos e com Israel.
