PF prende o 2º deputado estadual mais votado do RJ e ex-chefe da Polícia Civil


A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), segundo mais votado do Rio de Janeiro nas eleições deste ano, com 197.178 votos, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. As prisões preventivas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na oitava fase da Operação Unha e Carne.
Segundo a PF, o grupo investigado usava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro e teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos. A apuração começou a partir de um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Canella é apontado pela PF como articulador do grupo. Ele e Amim são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes.
Também foram presos os policiais civis José Carlos Alves de Souza Júnior, Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, e os irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes. Christiano ocupa o cargo de secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo. De acordo com o g1, os agentes encontraram dinheiro guardado dentro de uma adega na casa de José Carlos Júnior.
Foram cumpridos seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Moraes também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas, 96 delas postos de combustíveis.
De acordo com a investigação, Amim usava os cargos de direção que ocupou no Detran-RJ e na Secretaria de Polícia Civil para dar proteção ao grupo e recebia recursos por meio de empresas ligadas a familiares. Ele comandou a Polícia Civil por cerca de dez meses, até setembro de 2024. Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo em 2024 e renunciou em abril para disputar o Senado, mas desistiu e voltou a concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.
A operação começou em dezembro de 2025 e está ligada à decisão do STF na ADPF das Favelas, que mandou a PF investigar relações de agentes públicos com o crime organizado.
As defesas de Canella e de Amim informaram que não vão se pronunciar até ter acesso aos autos. Em nota, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que acompanhou o cumprimento dos mandados, afirmou que a instituição não compactua com qualquer desvio de conduta.
