Único a votar contra o fim da 6x1, Mourão diz quantos colegas esperava ao seu lado

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), único a votar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1, afirmou que esperava ter pelo menos uma dezena de colegas ao seu lado. "Eu tinha esperança de que pelo menos ali uns 10, 12 estivessem comigo nessa votação", disse na quinta-feira (15), em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha.

A PEC foi aprovada na quarta-feira (14) por 75 votos a 1, nos dois turnos. O texto reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de folga remunerada, sem redução de salário. Os outros dois senadores gaúchos, Luis Carlos Heinze (PP) e Paulo Paim (PT), votaram a favor. A promulgação está marcada para esta sexta-feira (16), às 9h, em sessão solene do Congresso.

Segundo Mourão, o tema não chegou a ser debatido no Republicanos, e cada senador "adotou a sua visão de mundo". Ele avaliou que os colegas "fizeram uma análise de risco, fruto da pressão popular". "Alguns tinham um compromisso específico de votar a favor do projeto, mas outros nem tanto, não precisavam", afirmou, em referência a parlamentares que estiveram com ele na oposição ao governo Lula.

O senador negou estar isolado. "Eu não fiquei sozinho porque eu tenho recebido uma quantidade enorme de apoios da nossa população, dos mais diversos setores", declarou.

Mourão disse estar alinhado à PEC alternativa apresentada pelo líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), que prevê liberdade contratual e pagamento pelas horas trabalhadas. Para ele, fixar a escala na Constituição engessa as relações de trabalho, e o país deveria primeiro aumentar a produtividade para depois trabalhar menos. O senador repetiu que o custo da mudança será repassado a trabalhadores e consumidores, com demissões e alta de preços, e que isso será percebido no ano que vem.

Antes da votação, Mourão já havia classificado a PEC como eleitoreira. Natural de Porto Alegre, ele tem 73 anos, foi vice-presidente da República no governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e foi eleito senador em 2022.

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