Zelensky pede R$ 400 bi à União Europeia e diz quanto a guerra vai custar no próximo ano

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu nesta sexta-feira (16) aos líderes da União Europeia um financiamento adicional de 70 bilhões de euros, o equivalente a R$ 400 bilhões, para o próximo ano. "A guerra custará 155 bilhões de euros no próximo ano. E precisamos de pelo menos mais 70 bilhões de euros de vocês, para defesa, armamento e para nossa resiliência. Este é um valor realista", disse, em discurso na cúpula do bloco, em Bruxelas.

O pedido ocorre num momento de tensão entre Kiev e Washington. Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, flexibilizou sanções contra a Rússia em troca do fornecimento de grandes quantidades de diesel aos mercados mundiais e ao mercado americano. Zelensky chamou o acordo de "indigno" e disse que ele vai encorajar a Rússia a continuar a guerra, iniciada em fevereiro de 2022.

A situação se agravou depois que Zelensky ordenou a retomada dos ataques contra refinarias russas, ignorando exigências americanas. Na quinta-feira (15), Trump classificou os ataques como "uma vergonha" e disse que Kiev contribui para a alta dos preços mundiais de energia. "Acho que considero mais difícil lidar com Zelensky do que com Putin", declarou ao canal Newsmax. O Kremlin acusou a Ucrânia de dificultar os esforços de paz dos Estados Unidos.

Outro ponto de atrito são as interrupções no Starshield, sistema militar de satélites da SpaceX usado pelas Forças Armadas ucranianas. O empresário Elon Musk afirmou que a empresa não está por trás das falhas e que qualquer limitação é decidida pelos militares americanos e, em última instância, pelo presidente dos EUA. Uma autoridade americana negou que Trump tenha ordenado a desaceleração deliberada do sistema.

Os líderes europeus reafirmaram o apoio a Kiev. "Não é o momento de retirar nosso apoio à Ucrânia. Não é o momento de aliviar as sanções contra a Rússia", disse o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que a Europa não consegue substituir o sistema de satélites no curto prazo.

A União Europeia já tem um programa de empréstimos de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, criado para cobrir as necessidades do país até o fim de 2027. O debate sobre novas ajudas reacendeu a proposta de usar quase 200 bilhões de euros em ativos congelados do Banco Central russo, que enfrenta resistência da Bélgica, onde está depositada a maior parte desses fundos.

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